Diretor Ivo Moreira  \  Periodicidade Mensal
 
André Reis e Carlos Silva dão nome e vida à dupla 'Karetus' - um projeto surgido no ano 2010 com influências nos mais variados estilos de música eletrónica. De entre atuações em diversas festas estudantis e clubs de renome, o ano de 2012 ficou também marcado pelo lançamento do seu EP 'Entrudo' na Rottun Records, que serviu de palco para o seu reconhecimento a nível internacional. Sem hesitações, nem 'papas na língua', consideram que "o objetivo não é lançar muita música mas sim fazer música com qualidade." Nesta entrevista exclusiva, revelaram-nos que a curto prazo irá ser lançado pela editora DIM MAK, o remix da "New Ivory - Day By Day" e que o "futuro da música eletrónica passa pela criação de novas sonoridades e fusão entre as mesmas".
Na conversa que tivemos ficou também claro, que esta dupla é sinónimo de dedicação, originalidade e talento, sendo sem dúvida um nome a ter em conta nos próximos anos.
 
 
Como é que surgiu a ideia de criarem uma dupla?
Já nos conhecíamos há uns anos e apesar de termos influências musicais diferentes pensámos em unir ideias e criar algo com o qual nos identificássemos. É desta fusão e influências que partimos para o projeto 'Karetus'.

Porquê 'Karetus'?
Queríamos um nome que fosse "português" e que revelasse a nossa nacionalidade. Karetus são figuras típicas de uma tradição transmontana que aparecem para fazer diabruras em alturas como o Carnaval e na época Natalícia (dependendo da aldeia e tradição) e que transmitem alegria, tradição e animação. Foi um nome pensado e estudado para que tivesse algo relacionado connosco e com a nossa maneira de estar.

Consideram que o lançamento do EP 'Entrudo' foi imprescindível para se darem a conhecer ao grande público?
Sem dúvida. Foi editado pela 'Rottun Records' de Excision e atingiu o Top 5 mundial em inúmeras categorias - Dubstep, Electro, Glitch Hop, Drum and Bass e Electro. Foi sem dúvida o que nos projetou a nível internacional e que abriu as portas que pretendíamos.

A "Future is Now", alcançou a sétima posição da loja digital - Beatport. Como receberam essa notícia e o que sentiram?
Com enorme agrado. Foi o primeiro passo para sabermos qual o caminho que podíamos seguir.

Que 'ingredientes' consideram essenciais para uma música 'ficar no ouvido'?
O essencial é ser feita com tempo, dedicação e enorme atenção aos detalhes. Tentamos fazer tudo com tempo e sem precipitações. O objectivo não é lançar muita música mas sim fazer música com qualidade.

É para o nosso público que trabalhamos diariamente e são eles a nossa motivação para continuar a trabalhar.


Qual o tema que vos deu mais prazer a produzir e porquê?
Todos os temas têm a nossa dedicação. Damos o nosso melhor a cada música feita.

Estão nomeados nos "Cows On Patrol Awards 2012" para 4 categorias. (Melhor DJ Dubstep; DJ Revelação Dubstep; Melhor Produtor Dubstep; Melhor Tema Dubstep.) O que representa para vocês estas nomeações?
Agradecemos todos os prémios que nos são atribuídos mas não é o nosso objectivo ser "premiados". O nosso prémio é diário e é dado por quem nos manda mensagens, assiste às nossas actuações e ouve a nossa música. Recebemos prémios todos os dias e queremos continuar a receber. É para o nosso público que trabalhamos diariamente e são eles a nossa motivação para continuar a trabalhar.
[Nota de redação: Esta entrevista foi realizada antes de serem conhecidos os vencedores. 'Karetus' venceram na categoria de ‘Melhor Produtor Dubstep’.]

Recentemente Steve Aoki passou no seu Radioshow um remix vosso. É motivo de orgulho?
Sim. O Steve Aoki tem passado regularmente o nosso remix dos New Ivory nas suas atuações e nos programas de rádio. É uma faixa que vai sair muito brevemente na sua editora, a DIM MAK.

São defensores da máxima "O que é nacional, é bom"?
Sem dúvida. Portugal tem muitos e bons produtores. Felizmente temos um excelente relacionamento com a maior parte dos artistas nacionais e se fizermos o que outros artistas internacionais fazem (como os suecos ou holandeses), só temos todos a ganhar. Precisamos de dar mais valor ao que é nosso porque temos qualidade para conquistar o mercado internacional.
 
O que podemos esperar dos 'Karetus' a curto prazo?
Muito trabalho, novos lançamentos quer sejam a 'solo' ou colaborações com outros artistas. Queremos continuar a divulgar o nosso trabalho e a nossa sonoridade eclética. A prova disso são as produções com artistas tão diferentes como Nicky Romero, Nervo, Skism, Far Too Loud e tantos outros...
Julgamos que o futuro da música eletrónica passa pela criação de novas sonoridades e fusão entre as mesmas. Inovar e criar mais e melhor... É esse o nosso objectivo para podermos partilhar com todos os que nos seguem a nossa música..

Que mensagem gostariam de deixar aos leitores e ao vossos seguidores?
Muito obrigado a todos vocês por nos apoiarem na nossa carreira e no nosso sonho. Não é que os nossos fãs sejam melhores que os fãs dos outros... Mas na verdade são!
 
 
 
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Antes dos noventeiros se estrearem num festival, no Rock in Rio Lisboa, o Portal 100% DJ esteve à conversa com Miguel Galão, um dos responsáveis pelo projeto. Este conceito tem dado que falar e é um sucesso a nível nacional, arrastando milhares de fãs dos anos 90 de todas as idades. Nesta entrevista, Galão desvendou toda a história do projeto e ainda previsões para o futuro do conceito.
 
Como surgiu este conceito dos anos 90?
Este conceito surgiu a partir de duas empresas que estão no meio e que são parceiras jhá muito tempo, onde já eram feitas outras festas temáticas, uns têm agências de booking management, outros são DJs... E surgiu porque nós já estamos todos com mais de 30 anos e um bocadinho fartos destas modas de hip hop, reggaeton ou EDM. Quando nos divertíamos ou estávamos em casa dávamos por nós a fazer aquele revivalismo das músicas que nos lembrávamos. Então pensámos: “bora pegar nisto! Isto é o que nós fazemos”. As festas têm um pouco do que já trazíamos do Rebel Bingo, ou seja, a componente um bocado teatral e interativa e foi assim que começou.
 
O Rock in Rio Lisboa foi o primeiro festival do Revenge Of The 90’s. Existe alguma diferença mais notória entre as vossas festas em nome próprio e em festivais?
Há muitos festivais que não têm tantas pessoas como aquelas que já estiveram presentes nos nossos eventos. Quando fazemos eventos em nome próprio, somos nós que controlamos tudo desde a pré-produção, produção e pós-produção. O público é todo nosso, vai lá única e exclusivamente para nós. Somos nós que fazemos o espetáculo, a produção do recinto, a exploração dos bares e no Rock in Rio Lisboa não. É como se fossemos uma “banda convidada”.
 
As vossas festas têm sempre artistas convidados. No futuro poderemos contar com algum DJ consagrado dos anos 90?
Claro que sim! Nos anos 90 não existia tanto o que acontece nos dias de hoje, o facto de um DJ ser uma superstar. Mas existem e já estivemos em conversações com alguns. Não fazemos este evento pela música em si. Por exemplo, eu e a Constança (Coca Castelo Branco) colocamos música mas não somos sequer DJs e não é só pela música que as pessoas vão aos nossos eventos. É pela experiência em si, desde a antecipação do evento, à entrada do mesmo, a todo um espetáculo que está montado para que seja uma coisa muito sentimental, de experiências e sensações mais propriamente do que músicas. Mas sim, muito em breve isso irá acontecer.
 

 
É obrigatório usar dress code da época?
O dress code nunca foi algo existente na nossa comunicação, mas as pessoas perguntam se podem ir vestidas como nos anos 90. Festas dos anos 90 já existem há muito tempo, nós não inventámos propriamente a Coca-Cola. Nós inventámos a Coca-Cola no sentido que fizemos um upgrade e tornámos isto numa coisa muito mais profissional. Isto começou de amigos para amigos. Todos se conheciam. É um bocadinho aquele carnaval fora de época, em que se pode ir à vontade. Os anos 90 também têm a questão da moda, os gadgets e acessórios que estão a voltar também. Grandes marcas mundiais estão a apostar nesse revivalismo. As pessoas vestem literalmente a camisola e quando se olha para a moldura e se vê as fotos e os vídeos percebemos que é completamente diferente do que se formos todos ‘normais’. Mas não pedimos um dress code, é uma coisa que acontece naturalmente, fica bem e as pessoas divertem-se imenso.
 
Todos os vossos eventos têm um tema. Queres adiantar alguns dos próximos?
No Rock in Rio foi apresentada uma nova temática, que se chama “Welcome To The Jungle” e que nos vai acompanhar na próxima tour, com início a dia 13 de outubro, em Lisboa e vai até abril do próximo ano. Vamos andar pelo país inteiro. O nome vem da música dos Guns & Roses, mas não vai estar a 100% ligada à banda ou ao género musical. Agora é meter “Jungle” e “90s” no Google e no Youtube e “let the games begin”!.
 
No futuro, será que contamos com um Revenge dos anos 2000?
Mais cedo ou mais tarde vai ter que acontecer, tal como foi com os anos 70 ou 80. Quando começámos este evento, o nosso público-alvo era pessoas acima dos 30 anos, mas depois de ficar viral e tornar-se moda, ficámos com muitos millennials nos nossos eventos. Acho que ainda não é altura, basta ver por exemplo uma grande festa em Portugal que fez agora anos, a M80, continua a estar cheia pelo país inteiro. Nós achamos que o revivalismo tem de se deixar acentar. Porque senão, não vai ter o mesmo efeito surpresa e emocional que deveria ter. Obviamente que nós vamos estar numa pole position, uma vez que já fazíamos eventos, mas acredito que o Revenge Of The 90’s tenha mais 10 ou 15 anos. Depois virão os anos 2000, ou quem sabe outra vez os 80. Tudo é possível. 
 
Quais são as maiores diferenças a nível musical entre os anos 90 e a atualidade?
Há diferenças gigantes. A internet veio mudar tudo. Crescemos a ouvir os vinis em casa dos nossos pais, depois veio a cassete. Gravávamos cassetes dos amigos porque não havia dinheiro para as comprar. A seguir, vieram os CDs e podíamos fazer o mesmo. Ou então ouvíamos muitas vezes os mesmos álbuns. É muito fácil ver num disco dos anos 90 de certas bandas em que estavam presentes 5, 6 ou 7 singles e hoje em dia é tudo muito fugaz. Agora pode-se comprar uma música. Naquela altura havia o single, o LP, a cassete ou o disco. Hoje em dia há muita oferta e com a internet a música chega a toda a gente. Essa é, provavelmente, a maior diferença. As pessoas continuam a comprar música, mas às vezes faixa a faixa. 
 
E a nível de qualidade musical?
Como em tudo na vida, isso são gostos. Eu tenho amigos que produzem EDM e outros que fazem kuduro, funk e rock. Acho que há gostos para toda a gente e qualidade para todos. As pessoas têm de ouvir o que gostam e aquilo que lhes transmite a mensagem que querem. Obviamente que a nível de qualidade, edição e produção, hoje em dia é muito mais fácil fazer música. Qualquer pessoa pode fazer um álbum em casa. Por exemplo o Agir, muitos pensam que ele só faz música há dois anos, mas já faz há 15, desde o seu quarto. Hoje, com um computador, teclado e software, todos podem ser uma estrela. 
 
Que artistas gostariam de convidar no futuro para integrar o vosso cartaz?
Nós damos sempre preferência aos artistas portugueses. Os cantores de música popular portuguesa, por exemplo, apenas lhes é dada importância nos Santos Populares e as pessoas dizem que é música da “terrinha”, quando são músicos que estão cá há muitos anos. A Ana Malhoa, os Anjos ou o Toy continuam a trabalhar há 30 anos seguidos e isso não pode ser só sorte. Nós somos privilegiados. Já os conhecíamos e eles alinham connosco. A energia sente-se em palco e no público e faz-se a festa. Na verdade, estamos todos a jogar em casa. A nível internacional, há os Backstreet Boys, Mariah Carey, Spice Girls, Guns & Roses, fora aqueles que já vieram cá, esses sonhos existem. Mas temos que ver que isso está num nível de cachet e de exigência e que em termos de idade, já não são propriamente novos. Mas acredito que no futuro, nós temos condições e estrutura para isso. Começámos com 500 pessoas e agora já contamos com 12 mil. Fazer um Altice Arena ou um estádio de futebol é só uma questão de tempo. Assim haja dinheiro, apoios, vontade, a febre dos 90s e que as pessoas continuem a acreditar em nós e a seguir-nos.
 
O Altice Arena parece estar próximo...
Sim. Já vi muitos concertos no Altice Arena com muito menos pessoas do que a nossa festa na FIL que teve 12 mil pessoas. Mas o nosso espetáculo é muito específico e trabalhamos com muitos parceiros e marcas. Temos dinâmicas próprias porque gostamos de produzir tudo. Às vezes há salas em que é possível trabalhar com mais facilidade e outras não. Outras são caras e não têm disposição que nós achamos que faça sentido para o nosso tipo de público e de evento. Nós preocupamo-nos muito com o público, porque isto não é só fazer dinheiro com a bilheteira. Para nós os VIPs são quem nos compra os bilhetes, é quem nos segue e apoia. Portanto, passando de 500 para 12 mil num ano e meio, chegar aos 20 mil ou mais, não é nada por aí além. Desde que seja bem feito e não fujamos aos nossos princípios.
 
Deixa uma mensagem para quem vai ler esta entrevista.
Música é música. São emoções. A música muitas vezes ajuda-nos com os nossos problemas. Quem tem um sonho ou gostaria de fazer eventos, acreditem que tudo é possível. Nós, um era ator, o outro era fisioterapeuta e quando existe vontade, profissionalismo e princípios, o sonho é possível e acontece. Portanto, sigam os vossos sonhos, oiçam o que quiserem ouvir e apoiem quem vocês gostam, porque muitas vezes o público é o que faz o resto acontecer. São eles que pagam os bilhetes, compram merchandising e fazem as redes sociais mexer. 
 
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Desde muito novo que se interessava em fotografar, mas foi há sete anos atrás que comprou a sua primeira máquina fotográfica. Desde então nunca mais a largou. A sua experiência conta com incríveis imagens de pessoas, paisagens, festivais e detalhes que só ele sabe captar. Na música eletrónica, a incursão de Miguel Berro acontece no festival One Fest e atualmente é fotógrafo oficial do DJ e produtor português Zinko. Fomos conhecer um pouco do percurso deste fotógrafo português de 23 anos.
 

Como começou a tua aventura no mundo da fotografia? E como ficou ligada à música eletrónica?
Sempre tive o “bichinho” pela fotografia. Desde muito novo que pegava em máquinas de amigos e ia fotografar. Na altura, nunca tinha pensado em seguir carreira na área da fotografia mas alguns anos depois, quando estava a tirar um curso de Multimédia e tive um módulo de fotografia, foi aí que tive um click na minha cabeça e disse a mim mesmo: "É isto! É isto que eu quero!” Um ano depois, em 2013, comprei a minha primeira máquina e desde então nunca mais parei de fotografar. Entre pessoas, paisagens, casamentos, festas corporativas, festivais, viagens de finalistas e fotografia de produto, já fiz de tudo um pouco. A minha entrada na música eletrónica foi num festival na minha cidade, o One Fest em Vendas Novas, onde fotografei Diego Miranda, Joey Dale, Karetus, Zinko, entre outros artistas.


Que artistas e festivais já tiveste a oportunidade de fotografar? Com qual ou quais gostaste mais de trabalhar?
Palmesus, MEO Sudoeste, Rebel Village, Revenge of the 90's e Freedom Festival, são alguns dos eventos onde já passei. Já tive oportunidade de fotografar Marshmello, Tiësto, The Chainsmokers, Macklemore, Alan Walker, Zinko, Ninja Kore, Karetus, Vini Vici, DJ Ride, Van Breda, Nokin, entre muitos outros.


E com quais gostarias de vir a trabalhar?
Adorava poder um dia fotografar um espetáculo do Drake, Martin Garrix ou Hardwell. Acho fascinante o nível de produção que está envolvido nas apresentações a solo deles.


Tens alguma história caricata que tenha acontecido durante algum dos teus trabalhos?
Não vou referenciar nomes, mas um dia tive oportunidade de fotografar um aniversário de uma figura pública portuguesa. A festa foi muito boa e as fotos estavam fantásticas. Ao fim da noite perdi o cartão com tudo o que tinha fotografado. Até hoje ainda me pergunto onde poderei ter perdido aquele cartão... Foi o pior dia da minha vida.
 
 

Que material fotográfico aconselhas para quem queira seguir os teus passos? E algumas dicas?
Acho que para começar qualquer máquina serve. O importante, na minha opinião, é ganhar prática e experiência no terreno. Hoje em dia é cada vez mais fácil aprender a fotografar graças ao Youtube.


Na edição de imagens, a criatividade é totalmente da tua autoria ou segues instruções dos clientes?
Posso-me orgulhar de dizer que todas as minhas edições são da minha autoria. Todos os meus clientes até hoje sempre me deram a maior liberdade na edição das fotografias.


És o fotógrafo oficial do Zinko. Conta-nos como tudo começou e como está a ser a experiência.
Já trabalho com o Zinko há 5 anos. Não me lembro ao certo como tudo começou, mas foi das poucas pessoas que acreditou em mim no início e desde então já viajámos de norte a sul do país, incluindo os Açores. Tem sido uma experiência fantástica poder trabalhar com ele e ver evolução a cada dia que passa.

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sexta, 03 agosto 2012 21:59

“Sou eu, a música e as pessoas”

Tinha quinze anos quando começou a prestar uma certa e especial atenção à música e a demonstrar maior interesse pelo que se vendia na loja de discos do pai - a primeira em Portugal a importar dos EUA máxi-singles de música de dança, área que começou desde logo a reparar com outros olhos.
Aos vinte anos começou a animar o ambiente em discotecas e não demorou muito até começar a atuar lado a lado com nomes de referência da dance music. Em 1994 juntou-se ao conhecido Rui da Silva e criaram o projecto ‘Underground Sound of Lisbon’. Mais tarde nasceu o tema "So Get Up" que rapidamente se espalhou pela rota mundial da música electrónica. Ganhou 25 contos no primeiro cachet. Hoje, além da profissão de DJ, é gerente da Indústria no Porto, e faz um programa de rádio na Antena3. É considerado em Portugal como um verdadeiro ícone da noite. Num excelente fim de tarde, antes da sua atuação no Rock In Rio Lisboa, tivemos uma agradável conversa com ele. Dispensa apresentações. DJ Vibe em entrevista.

 

Como descreves atualmente a noite em Portugal?
Já teve melhores dias, mas acho que continua a haver muita casa e muita oferta. Hoje em dia, devido às circunstâncias em que o país se encontra, há uma grande limitação… Mas enquanto houver noite e festas as pessoas vão continuar querer divertir-se.

És um DJ que percorreu várias gerações, sendo um dos principais pioneiros da música eletrónica em Portugal. Quais são para ti, as principais diferenças entre gerir um set hoje e há 20 anos atrás?
Não são muitas. Hoje o que é diferente passa pelo facto do público ser outro, a música também é outra, a forma como se toca também é outra, a tecnologia que apareceu veio ajudar de certa forma, a melhorar a performance, mas a maneira como o set é preparado ou pensado, é exatamente a mesma coisa. Não há grande diferença.

Vens de uma época que o som caloroso do vinyl envolvia as pistas de dança mas atualmente tocas com o sistema digital.
Defendes que o digital é o futuro e uma mais valia para o djing?
Eu sou defensor de tudo o que possa ajudar nas minhas performances. Se isso passa, pelo digital…
Não quer dizer, que não continue a comprar vinyl, passo tudo a digital, mas realmente as tecnologias vieram ajudar bastante, principalmente para quem viaja como eu, para deixar de andar com caixas de discos de quarenta quilos cada uma, e hoje em dia está tudo num computador e se calhar até levo mais música, e é bastante mais prático.
Acho que a tecnologia que apareceu serviu essencialmente para ajudar a trabalhar melhor ainda.

Mas és um adepto da qualidade e tens preferência por material analógico...
Hoje em dia os próprios sistemas mais recentes, já estão mais ‘afinados’ para poderem tocar o digital. Obviamente que não dá para fazer uma comparação: Estás a tocar um disco de vinyl num sistema analógico ou estás a tocar uma faixa em MP3 num sistema digital – são diferentes. Por outro lado, a maior parte da música que se faz hoje, também, toda ela é mais eletrónica do que era há uns anos atrás. Antigamente podia-se usar elementos mais acústicos, samples, etc. Hoje em dia, não é tanto assim, pelo menos nesta fase. Não quer dizer que não venha a acontecer daqui a uns meses, comecem a aparecer. E depois lá está… as origens são analógicas mas depois tocam-se em digital.
Para mim, o essencial é sentir-me confortável, ter um sistema de som que possa responder. Se é digital ou analógico… já não me faz diferença.

 

"Para mim, o essencial é sentir-me confortável, ter um sistema de som que possa responder. Se é digital ou analógico... já não me faz diferença"

 

Ultimamente tens estado ausente no que diz respeito a produção. Podemos esperar novos temas teus para breve?
Sim. Estou a trabalhar nalguns temas novos. Tive parado durante alguns tempos, devido à discoteca no Porto que foi um projeto grande, mudei-me para o Porto, agora estou de volta a Lisboa. Espero até ao final do Verão já ter algumas coisas para poderem ser tocadas.

Fala-nos um pouco sobre o Indústria…
O Indústria foi uma coisa que não foi pensada, não estava à espera de me envolver assim num projecto… mas aconteceu e todas as minhas energias de há dois anos para cá, estiveram viradas para a Discoteca. Construir um clube com aquelas características não foi fácil, mas felizmente a agora está a ‘rolar’ e estou muito satisfeito com o resultado da casa. Está a trabalhar bem com uma grande diversificação de DJs.

A tua presença no Rock In Rio tem sido assídua. Fala-nos um pouco dessa experiência…
Sim, tenho tocado praticamente em todas as edições tanto de Lisboa como de Madrid. No Rio de Janeiro não foi muito feliz, pois toquei numa hora complicada, mas no geral tem disso uma boa experiência. De todos, para mim, o melhor Rock In Rio é o de Lisboa, por causa de todo o envolvimento. O Parque da Bela Vista é realmente espantoso para se fazer este tipo de eventos e de todos os que eu tive presente, destaco sempre o de Lisboa.

Na tua opinião, qual é a característica que um DJ tem de possuir para se consolidar no mercado atual?
Penso que há dois ou três factores importantes. Um deles é gostar mesmo de música, outro é dedicar-se a isso e essencialmente tocar para as pessoas.
Eu sou de uma geração, e de uma escola, se é que existe… que ‘sou eu, a música e as pessoas”. Toco para as pessoas e o importante é perceber que as mesmas estão a divertir-se pela música que estou a tocar e não por me verem a fazer umas ‘palhaçadas’.

 
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