14-12-2018

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segunda, 21 maio 2018 19:36

Avicii. O outro lado da vida de um DJ

A morte de Tim Bergling, mais conhecido por Avicii, um dos principais nomes da EDM mundial, veio confirmar o que já se sabia sobre a pressão que é feita pela "máquina" que envolve uma indústria que gera muitos milhões. O fenómeno DJ "Superstar Mundial" é relativamente recente, mas o impacto e o dinheiro gerado já se pode comparar (superando-o até em alguns casos) aos da maior parte das "super bandas" que (ainda) existem e enchem estádios. Movendo tantos milhões, envolvendo tanta gente, transformou-se obviamente num negócio muito importante que se centra simplesmente numa ou duas pessoas (ou três, como no caso dos Swedish House Mafia). Com uma estrutura altamente profissionalizada, de muitas pessoas e que abrange varias áreas de negócio, o seu objectivo é simplesmente o de rentabilizar ao máximo o artista ou artistas que com quem trabalham. E como infelizmente os números que as vendas de música representam cada vez são menores devido à pirataria digital (apesar de o tema "Levels" ter sido licenciado à Universal Music por 500.000 Euros!), a principal maneira de rentabilizar um artista destas características são os espectáculos ao vivo.
 

(...) o que vi foi uma pessoa muito jovem que de repente se encontrou com um tema que foi um êxito à escala mundial, com tudo o que isso representa.


A morte de Avicii, uma pessoa jovem, com um sucesso planetário e com tudo para ser feliz, perturbou-me e fez-me pesquisar mais sobre a pessoa e sobre os eventuais motivos do seu falecimento. Obviamente que já o conhecia, mas por a sua música ser totalmente oposta aos meus gostos musicais, nunca acompanhei muito de perto o seu trajecto como artista, apesar de conhecer obviamente os seus principais êxitos e de sentir que tinham bastante qualidade, dentro do seu estilo. Sabia que ele tinha deixado de fazer espectáculos ao vivo em 2016 por motivos de saúde, mas não sabia bem a história e o que tinha acontecido até chegar a esse ponto. Fui por isso ver o documentário "True Stories" sobre o seu percurso, desde o início, e o que vi foi uma pessoa muito jovem que de repente se encontrou com um tema que foi um êxito à escala mundial, com tudo o que isso representa. Vi também que parte de esse êxito se deveu ao seu "manager", Ash Pournouri, à sua gestão e ás suas negociações com as várias editoras interessadas em "Levels". O resultado foi um grande "hit" de tal forma que o nome Avicii foi projectado para a primeira linha dos DJs/Produtores de EDM, com pouco mais de 20 anos. 

O documentário "True Stories" saiu em 2016, pouco depois de Avicii ter decidido deixar de actuar ao vivo e de ter rescindido contrato com o seu "manager", e resultou de 300 terabytes de vídeo que o seu amigo Levan Tsikurishvili registou durante 4 anos. A maneira como o documentário narra a história, como regista as imagens de um Avicii deitado na cama a trabalhar no seu portátil depois de ter sido operado para lhe retirarem a vesícula e o apêndice, mostra bem a pressão que havia sobre si. Dois anos antes tinham-lhe diagnosticado uma pancreatite aguda, uma infecção crónica no pâncreas que normalmente é devida ao excesso de álcool e que provoca dores insuportáveis, e em que nos casos mais graves pode provocar taquicardia e ansiedade, o que obviamente só agrava o problema. No documentário pode ver-se como nessa fase Avicii teve que reduzir e limitar muito o que comia (a comida agrava o problema porque activa a formação dos sucos pancreáticos que neste caso provoca uma dor intensa) e emagreceu muito. Apesar disso é visível a pressão do seu "manager" para tomar os analgésicos (que para este nível de dor já se podem tornar aditivos) para fazer os muitíssimos espectáculos que tinham em agenda, porque nesta altura Avicii facturava a módica quantia de 17 milhões de dólares ao ano.
 
Ash Pournouri, o seu "manager" até 2016, descobriu Tim como produtor aos 18 anos quando era promotor de eventos em "Clubs" e estava a terminar o curso superior de advocacia. Vendo o seu talento e a sua rapidez em produzir temas decidiu agencia-lo e mostrar o seu trabalho aos melhores DJs e Produtores na altura, criando uma empresa para o efeito que, com todo o sucesso atingido por Avicii fez dele um milionário até 2016, ano que Tim deixou de ser representado por ele e tomou conta da sua agenda e também da sua vida. O que se pode ver no documentário "True Stories" é que Ash, sendo uma pessoa mais extrovertida e mais "agressiva" comercialmente do que Tim, levou o artista até ao limite físico com os inúmeros espectáculos, muitas vezes em dias consecutivos e a milhares de quilómetros de distância uns dos outros. Obviamente que Tim queria o sucesso, buscava o êxito que teve e que Ash o ajudou e muito nesse objectivo, mas não estava psicologicamente preparado para o peso que a dimensão desse êxito representava. Com uma personalidade introvertida que não gostava de ser o centro das atenções, é difícil imaginar o que teve que superar para subir a um palco e ter que actuar em frente de milhares de pessoas, ter que ter uma cara alegre e sorridente mesmo quando estava sobre o efeito de fortes analgésicos e com imensas dores. Mas era o centro da máquina que gerava milhões e de uma maneira ou doutra teve que o fazer, até atingir o seu limite físico.
 

(...) é difícil imaginar o que teve que superar para subir a um palco e ter que actuar em frente de milhares de pessoas, ter que ter uma cara alegre e sorridente mesmo quando estava sobre o efeito de fortes analgésicos e com imensas dores.


E isso leva-me ao motivo desta minha crónica, o outro lado da vida de um DJ. Há muita gente, especialmente as gerações mais novas que aspiram a ter uma carreira como DJ que provavelmente só veem a parte dos "braços no ar", a parte dos aplausos, das caras sorridentes na cabine onde tudo parece fantástico e maravilhoso. Obviamente que é fantástico vermos as caras felizes das pessoas que estão à nossa frente a dançar a música que estamos a passar! Mas há uma outra parte, uma outra cara da moeda que não é visível ao grande público. São as muitas horas que passamos em viagens, voos muitas vezes atrasados que nos fazem andar a correr no aeroporto, com poucas horas de sono (ás vezes de directa) e que provocam um grande desgaste físico. E mesmo assim, na noite seguinte temos que estar na cabine, com um sorriso na cara e de "braços no ar". Já sem falar na pressão que existe para que as nossas actuações sejam sempre boas, tenham impacto e que agradem ao público que temos à frente. Essa pressão existe sempre e é gerida de diferentes maneiras pelos diferentes artistas, mas também provoca desgaste, de uma maneira ou doutra.

É óbvio que somos pagos para essa função e em alguns casos muito bem pagos. Mas também é verdade que o dinheiro não serve de nada quando atinges um limite físico como infelizmente atingiu Tim Bergling e que o levou, como indicam as últimas noticias, ao suicídio. É um exemplo extremo de como uma actividade vista por muitos como uma coisa fantástica e maravilhosa (que também é) mas que tem uma parte não visível ao grande público que é extremamente desgastante.

Aconselho por isso a todos os que aspiram a ser DJs a verem o documentário "Avicii: True Stories" para verem o outro lado da vida aspiram a ter. É óbvio que nem todos vão ter um calendário "louco" com o de Avicii, com actuações quase todos os dias (situação que numa fase da sua carreira chegou a acontecer) mas se quiserem mesmo levar a sério uma carreira como DJs (e produtores) e caso tenham sucesso, vão querer fazer mais e mais "gigs". Embora isso ao princípio seja fantástico, quer pelo dinheiro que entra, quer pelo reconhecimento que representa, a medio-longo prazo, se não tiverem cuidado, o preço a pagar pode ser muito alto. Demasiado alto no caso de Tim Bergling. Que descanse em paz.
 
 
Carlos Manaça
DJ e Produtor
 
(Carlos Manaça escreve de acordo com a antiga ortografia)
Publicado em Carlos Manaça
 
É desde o ano 2012, que as crónicas de opinião têm assumido um importante lugar de destaque no Portal 100% DJ, ou não fosse este, um espaço assinado por ilustres figuras do panorama noturno nacional.
 
Não querendo fugir à regra, nem tão pouco defraudar os nossos leitores, este ano voltamos em força no que diz respeito ao sublime painel de cronistas que prontamente aceitaram o nosso convite para as Crónicas deste ano. É um orgulho para nós, e ficamos mesmo com um sorriso de orelha a orelha.
 
A destacar na nossa grelha de 2014 temos o facto de continuarmos com a nossa "mulher-dos-sete-ofícios" - Rita Mendes. Este ano, coube-lhe abrir "as hostes", onde já nos brindou com a sua novíssima crónica, abordando o assunto dos estilos musicais dos DJs. "Qual é o teu estilo, DJ?". Outra renovação que também nos orgulha imenso, é a do Ricardo Silva, rosto da DWM-D World Management. Também o DJ e produtor português Massivedrum, volta a juntar-se este ano ao ilustre painel.
 
Destacamos ainda o regresso de Mariana Couto às lides da escrita de opinião na nossa plataforma e a fusão do DJ Rusty e da dupla FunkYou2 à Agência EUROPA, que, desta feita, disponibilizará a opinião dos seus DJs. Motivos mais que suficientes para acompanhares todos os meses, as crónicas de opinião do Portal 100% DJ, 365 dias ao ritmo da noite.
 
Publicado em 100% DJ
sábado, 14 abril 2018 22:47

O DJ e a (in)capacidade de integração

Muitas vezes me perguntam a opinião acerca do actual estado da noite e do mercado de trabalho para os DJs nacionais. Apesar desta ser uma temática bastante complexa, basta recuarmos uma dezena de anos para facilmente conseguirmos encontrar um paralelismo que de certa forma ajuda a responder a esta pergunta. Será fácil para mim e todos os meus colegas conseguirmos nomear pelo menos quinze ou vinte clubes dessa altura que geriam as suas programações baseadas não nas exigências musicais acentuada dos seus clientes mas sim numa política de gestão daquilo que eles próprios consideravam importante para oferecer uma real e sustentada personalidade e identidade para as suas casas. Era relativamente usual vermos todos os fins de semana vários artistas nacionais a viajarem de Norte a Sul do país, criando desta forma uma dinâmica de indústria que acabava por ser benéfica para uma classe que paulatinamente ia criando os alicerces imprescindíveis para conseguir atingir um nível de profissionalismo condizente com as exigências de um mercado em pleno crescimento.
 
O problema, na minha opinião, surgiu quando as regras mudaram de um momento para o outro. O nosso país entrou em crise, trazendo com isso sérias consequências aos mais variados sectores da nossa sociedade, incluindo, como é óbvio, as artes. As rádios abriram o filtro numa tentativa de conseguir cativar cada vez mais ouvintes e a televisão não demorou a fazer o mesmo, já para não falarmos do facto de que a maioria da população portuguesa passou a dispor de Internet de uma forma praticamente livre, o que a tornou uma ferramenta magnífica que dava a todos a possibilidade de se educarem a eles próprios, neste caso específico musicalmente. Esta opção soa, por si própria bastante interessante, termos a possibilidade de ouvir o que muito bem entendermos não só é um feito amplamente merecido mas também uma grande vitória na livre expressão de um povo, nomeadamente na procura de informação, especialmente nós, que não à tanto tempo assim saímos de um ditadura que nos impedia inclusivamente de estar em contacto com novas formas de expressão artística. 

(…) tornou-se automaticamente muito mais difícil gerir e programar um espaço de dentro para fora, uma vez que as pessoas passaram a querer ouvir nas pistas de dança o que ouviam no carro ou em casa.

 
Mas com todas estas boas notícias surgiram também algumas menos positivas. Devido ao facto de muito rapidamente nos termos apercebido de que, comercialmente falando, cada pessoa acaba por ter a sua própria maneira de apreciar a música, tornou-se automaticamente muito mais difícil gerir e programar um espaço de dentro para fora, uma vez que as pessoas passaram a querer ouvir nas pistas de dança o que ouviam no carro ou em casa. Com isso rapidamente a personalidade e identidade de um clube passou para segundo plano, fazendo com que os empresários deixassem de se poder dar ao luxo de pensar a médio longo prazo, tendo que começar a repensar todas as decisões comerciais dos seus espaços, incluindo a parte da programação musical, que passariam a ter nas suas cabines. De um momento para o outro, o DJ nacional que não fosse musicalmente "acessível" ao que a partir daquela altura os responsáveis dos espaços necessitavam, acabaram por lentamente começar a ser postos de lado, muito por culpa dos cachets que a partir dessa altura começaram a ser considerados altos e não justificados devido ao facto do estilo de determinado artista não se enquadrar com a política musical adoptada por determinado espaço. 

O que importava era o lucro fácil e rápido,  tanto por uma questão concorrencial como principalmente para se conseguir fazer frente a compromissos financeiros, algo absolutamente compreensível para quem, como eu próprio, também tem negócios na Indústria da noite além da música, mas que facilmente retira consistência e preponderância para algumas das características principais que um espaço que oferece um serviço de diversão nocturna deveria proporcionar aos seus clientes, a diferença, qualidade e identidade em que tanto me foco nesta crónica e que como é evidente também se reflecte no tipo de consumos que uma clientela de circunstância oferece, afinal um risco que se corre quando se quer encher uma casa a qualquer custo. Consequência natural de todas estas mudanças foi o facto de ano após ano vermos clubes que ainda tentavam seguir a política do "elitismo", como então lhe passaram a chamar, a fecharem portas, incapazes de contrapor uma política de qualidade com o facilitismo auditivo com que os grandes grupos cada vez mais acenavam. Começou-se então a culpar o DJ nacional pela sua "incapacidade de integração" no circuito e voltámos por exemplo a apostar nos grandes nomes internacionais, o que longe de ser mau em muitos casos, camufla um problema muito grande, que é o facto de que o que é nosso ter cada vez menos espaço para trabalhar, pelo menos por valores equitativos com o seu valor, até porque não nos podemos esquecer de que não são só os artistas internacionais que vivem exclusivamente da música.

Posto isto chegamos ao estado do nosso mercado actual, que se resume a quatro opções quando se pensa no curto prazo: opção um, apostamos em nomes internacionais quando queremos ser "elitistas", porque assim não se chateia ninguém, afinal de contas está na moda e pode passar as músicas que quiser, até porque, opção dois, temos um DJ residente que resolve tudo porque sabe e tem as músicas todas que lhe vierem pedir, faz toda a gente feliz e melhor que tudo, cobra tanto como um funcionário qualquer do clube. Opção três, temos aqueles rapazitos que conhecem toda a gente, até passam música com os cotovelos e em tronco nu se for preciso e trabalham tão bem como o DJ Residente e por último como opção quatro temos aquele artista com 10, 15 ou 20 anos de Carreira, que lutou anos a fio pelo respeito e reconhecimento de uma profissão que no início era tudo menos apaixonante ou cheia de glamour mas que aqui e ali não tem as músicas que toda a gente conhece e certamente não se importará de trabalhar por um cachet simpático (aos olhos dos proprietários dos espaços) para ter o seu nome num alinhamento com um grande nome internacional, afinal já tem tão pouco trabalho que até o estamos a ajudar. É lógico que como resultado final, a vertente identidade e personalidade acaba claramente por ficar comprometida, mas no final o que interessa é que tenhamos fotografias com a casa cheia, os compromissos financeiros resolvidos e dinheiro em caixa, se bem que esperando ao mesmo tempo que ninguém se lembre de abrir um novo espaço por perto, porque não convém, pode-se perder freguesia e isso não interessa a ninguém, especialmente depois desta trabalheira toda que tivemos a preparar tudo como eles gostam.

Que fique bem claro que não pretendo de maneira alguma minimizar o trabalho de alguns excelentes clubes, DJs residentes ou DJs nacionais e internacionais que continuam a estar no nosso circuito de trabalho, muitos deles meus amigos que muito admiro e que valorizam a nossa indústria, esta crónica tem um teor claramente generalista que reflecte, na minha opinião, uma situação geral e nunca individual, estando obviamente centrada única e exclusivamente na temática DJ, uma vez que olho para o tema DJ/Produtor como uma realidade completamente diferente e que será inclusivamente tema para uma futura crónica.
 
Carlos Vargas
Publicado em Carlos Vargas
segunda, 05 março 2018 21:25

Num Mundo de Lobby's

No mundo do negócio, seja qual for a arte existe sempre a tendência às ajudas e aos conhecimentos entre entidades que tendem em favorecer quem por norma com as mesmas trabalha ou priva.

Este é um assunto bastante sensível e delicado, sendo que centralizando a questão, no meio da electrónica, deparamo-nos sempre com a questão do talento vs conhecimentos. Existe a necessidade de ter uma estratégia a longo prazo e no entanto estar sempre atento às oportunidades que possam surgir no intuito de fazer as melhores escolhas para uma carreira consistente. É preciso encarar a construção de uma carreira musical como jogar uma lotaria ou entregar a sorte ao destino, assim como dizer tenho um amor ou um dom, mas de verdade quem decide é a indústria e todos os que apoiam e seguem o meu trabalho. 

No meu caso em específico e ao longo da minha carreira sempre me fui deparando com algumas situações e entidades que me ajudaram, mas também com outras tantas que me fizeram trabalhar ainda mais e criar projectos que me ajudassem a depender apenas das minhas ideias e do trabalho artístico que tinha e tenho traçado como objetivo a alcançar. 

Não obstante tudo o que já mencionei é não menos importante referir que apesar de todo apoio que tenho e tive (do qual estou infinitamente grata), sempre foi o facto de eu fazer aquilo que mais gosto que de certa forma ajudou a ter uma carreira sólida. Basicamente por mais que sejam as "ajudas" e conhecimentos, se todas as vezes que que subo a uma cabine o trabalho não for bem feito, não existe nenhum "lobby" que ajude a longo prazo. 
Esta é a verdadeira realidade e resumo da questão, acreditar no que faço, fazê-lo com paixão sempre com o intuito de inovar e agradar todos aqueles que me seguem, porque são esses a quem eu agradeço e devo o sucesso da minha carreira como artista. Trabalhar bastante, ser optimista e humilde são os antídotos para a questão desta minha opinião.

Acontecem várias vezes e pessoalmente conheço inúmeros talentos, estes infelizmente por não conhecerem alguém ou uma plataforma que os ajude a mostrar o trabalho acabam por ficar no anonimato ou desistir, o que é lamentável. Eu como proprietária de uma editora e com a curadoria de alguns projectos faço tudo ao meu alcance para que estas situações não aconteçam, como apostar em novos talentos, contudo nem sempre é o suficiente. Mas por outro lado acredito que com persistência e a dedicação tudo é possível.
Publicado em Miss Sheila
As Crónicas de Opinião assumem desde 2012, uma posição de grande destaque no Portal 100% DJ, graças aos rostos convidados com presença não só na nightlife como também na música eletrónica. 
 
Não querendo fugir ao compromisso de oferecer qualidade ímpar aos nossos leitores, este ano a aposta foi ainda mais robusta e exigente no que diz respeito ao novo painel mensal de cronistas que prontamente aceitaram o nosso convite - motivo de grande orgulho e satisfação para nós.
 
A grelha de 2015 irá contar com o regresso das assinaturas de Ricardo Silva, responsável pela D-World Management, da DJ e comunicadora nata Mariana Couto e da Brand Manager da Agência WDB, Sónia Silvestre - que no seu último artigo (dezembro) abordou o sucesso holandês, que já não passa despercebido a qualquer um.
 
Uma das novidades para este ano nas lides da escrita de opinião é a estreia de Nelson Cunha, Diretor de Programação da Mega Hits, rádio que nos últimos anos tem vindo a vincular a sua forte aposta na música eletrónica em várias vertentes. Hugo Rizzo, DJ e produtor, que no ano passado colaborava com artigos de diferentes temáticas, terá agora o seu espaço de opinião também neste painel.
 
Carlos Manaça, um dos mais reconhecidos DJs a nível nacional, é outra das novas caras que aceitou este desafio e irá presentear os seus seguidores e os leitores do Portal 100% DJ com as suas palavras.
 
Em baixo poderás conferir todas as crónicas escritas o ano passado por Rita Mendes, Massivedrum, Eddie Ferrer, Ricardo Silva, Mariana Couto, Sónia Silvestre e DJ Rusty.
 
 
Publicado em 100% DJ
domingo, 28 outubro 2018 15:23

Ainda e sempre a olhar para o tecto

Este não vai ser com certeza um texto que se tornará viral por ter alguma verdade sobre alguns elefantes escondidos na sala. Antes pelo contrário, a convite da 100% DJ fui desafiado a escrever sobre o entretenimento noturno em Portugal e embora com todas as vicissitudes, dores de crescimento e os afins e enfins, comuns a todas as indústrias, há também uma análise de desenvolvimento que é fundamental fazer. 

Ainda habita em muitas conversas de café a expressão "da noite" carregada de conotação negativa como se tudo se resumisse a uma caricatura do Cais do Sodré dos anos 80 com marinheiros, putas e caídos. Comecei a frase por "ainda" porque na verdade ela tem tendência a cair em desuso. 

Os últimos 20 anos mudaram a face da indústria como nunca. A música, o entretenimento, a tecnologia, os sonhos ao alcance de um teclado trouxeram uma nova vaga de apaixonados determinados em fazer mais e diferente, em encarar "a noite" com um novo olhar mais rigoroso e abrangente. Deixámos de lado o olhar de "merceeiro" e passamos a ter visão de gestores. E engane-se que a "mercantilização" nos trouxe marasmo ou rotina, virou-nos antes para a inovação, risco e novos horizontes. Fosse assim em todos os mercados. 

Somos hoje em Portugal uma indústria em pleno desenvolvimento e a competir com o melhor que se faz em todo o mundo. Para isso esta nova geração apostou em formação académica, mergulhou de cabeça no Mundo.Net e correu atrás de profissionalizar o setor. E se estamos longe de alguns mercados é mesmo apenas por dimensão de país mas que isso nada nos tire ao nível de entrega que fazemos. Os nossos clubes estão estruturados, pelo Algarve passam as melhores produções e nomes do mundo, os festivais de música são a areia do nosso Verão e os artistas internacionais encontram nas nossas cidades a inspiração que precisam. Somos a nova "qualquer coisa" que ainda não se definiu bem mas a verdade é que se sente em todo o lado que somos realmente qualquer coisa. 

Se muitos dos que estão a ler este texto têm mão neste advento há também muitos que ainda agora estão a começar, que ainda sozinhos pensam deitados no quarto "naquela" festa com "aquele" nome e "aquele" conceito. Venham daí as energias ainda guardadas e as ideias ainda por conceber e que sigam este caminho que tem hoje uma plataforma bem mais estruturada para percorrer. Os degraus são ambiciosos mas o resultado é incrível. E já agora, ainda passo muitas horas a olhar para o tecto e a sonhar com "aquela festa" que ainda não fiz. Mas sei que vou fazer!
 
André Henriques
Publicado em André Henriques
quarta, 21 fevereiro 2018 21:15

Fala quem sabe

A noite nacional é uma pálida imagem da de décadas anteriores, o número de espaços noturnos que mantêm a porta aberta está reduzido à contagem com os dedos de uma mão, em tempos, não tão longínquos, precisávamos dos dedos dos pés para os contar.

Durante a década de 90, em Lisboa, vimos abrir espaços como cogumelos, mais e maiores, a meio da década abriam as Docas de Santo Amaro de Alcântara, alguns metros mais à frente, abria um quarteirão com o Dock’s, Blues Café, Kings&Queens e o filho mais novo e também o mais pequeno, o Indochina, abria o Lux, espaços que se juntavam aos já existentes Plateau, Kremlin, Kapital, corria-se a Av. 24 de Julho com bares porta sim porta não, até chegarmos a Alcântara e encontrarmos o Alcântara-Mar e o Benzina, havia o Bairro Alto onde milhares circulavam pelas ruas. A maioria dos espaços tinham um dia por semana e, ao fim-de-semana, bastava abrir a porta que a enchente era garantia, a estatística falava em mais de 100.000 utentes da noite Lisboeta.

Foram anos de loucura e de abundância, o tempo das vacas gordas, de norte a sul, os empresários tinham um sorriso de orelha a orelha e os bolsos cheios, os deles e de quem para eles trabalhavam. Chegamos então a 2018 e o que temos? Uma fatia bem fina desse bolo. E qual a razão desta desertificação? Os empresários e os clientes trocam acusações, as redes sociais estão carregadas de opiniões, na maioria de treinadores de bancada. Fala-se do ambiente, da música, da falta de qualidade, será? Vamos a factos, Portugal deverá passar dos actuais 10,3 milhões de habitantes para apenas 7,5 milhões em 2080, de acordo com as projecções da população residente do Instituto Nacional de Estatística, devemos cair dos 10 milhões já a partir de 2031, ou seja, dentro de 14 anos. Qual o target dos espaços noturnos? Que idade tinham aquela centena de milhares de pessoas que saíam nos anos 90 e ainda no início do século XXI? Pois é, 18-30 anos, são esses os mais noctívagos, os mais disponíveis para sair, a partir dos 30 anos casam, têm filhos, a vida muda, com as obrigações riscam a vida noturna da lista das suas rotinas. Juntando aos dados demográficos, temos que juntar os culturais, as alterações que os avanços tecnológicos provocaram, quem não recorda que a rua era a nossa segunda casa? E a noite? No Verão era todos os dias, no resto do ano a sexta-feira e o sábado eram sagrados. Mas para as novas gerações não, a noite não é sagrada, e a casa é hoje palco de campeonatos de jogos nas mais modernas consolas de jogos, de maratonas de séries de televisão gravadas nas box’s ou extraídas em downloads ilegais, noites acompanhadas por álcool mas comprado barato num qualquer supermercado.

Concluindo, com estes dados, depressa chegamos à conclusão que a classe etária que tentamos aliciar está diminuída, a manta ficou cada vez mais curta, para uma casa encher a outra fica vazia, não há público. Muitos não aguentaram a instabilidade e fecharam portas, outros abrem somente para eventos e ainda há os teimosos que derretem dinheiro como se tivessem numa mesa de jogo à espera que a sorte vire, mas não vira, porque a sorte é só parte da razão do sucesso, uma pequena parte, a maior é o saber, o conhecimento, as capacidades de gestão, tudo características ausentes na maioria dos que se encontram no comando dos melhores espaços noturnos, mas essa é outra história.
 
Assinado: A Gerência.
 
Zé Gouveia
Publicado em Zé Gouveia
domingo, 16 setembro 2018 22:47

Os "ginastas" da Dance Scene

O motivo da minha crónica deste mês vem na sequência de um post de um DJ que li há alguns dias numa das suas redes sociais em que dizia "isto é o que eu faço quando me pedem para tocar EDM" e fazia um gesto com a mão e o dedo do meio erguido dizendo também no mesmo post "I'm a Techno addict!". Como eu tinha a noção que o dito DJ tinha produzido há relativamente pouco tempo temas originais/remixes de EDM que tinha visto à venda no Beatport e que até tinha uma agenda internacional preenchida, fui um pouco atrás na sua rede social e realmente estavam lá os posts relativos a "great EDM Remix", vídeos no estúdio "what a EDM BOMB!", fotos com alguns dos artistas EDM do momento, etc. E fiquei realmente um pouco confuso...
 
O motivo da minha surpresa não é o facto de o DJ em questão ter mudado de estilo. Acho isso perfeitamente normal e faz parte do nosso percurso, quer como artistas, quer como pessoas. O que me faz muita confusão é como certos artistas podem, num momento querer ser os maiores num determinado estilo musical, porque está na moda e quando este deixa de estar na moda já é uma porcaria, já "passou o seu tempo" ou "isto é o que eu faço quando me pedem para tocar...". Essa parte já não entendo. Se até há pouco tempo querias ser o "novo príncipe do EDM", não podes, passado um ano e meio, dois anos, dizer que "isto é o que eu faço quando me pedem para tocar EDM" com um gesto obsceno. Até porque hoje em dia temos a internet que regista tudo o que publicamos, para sempre. E se vais publicar que és um "techno addict" e que "EDM sucks", ao menos apaga os posts anteriores onde dizes que estás a produzir a próxima "bomba EDM" ou que "respiras EDM". É o mínimo que se pode fazer em nome da coerência.
 
Entendo que seja o estilo musical mais "underground" que está na moda, mas ver alguns artistas (e muitas pessoas) que até à bem pouco tempo diziam mal do techno em favor de outros estilos (não só EDM) que agora são "techno addicts" faz-me alguma confusão. 

É verdade que o techno está na moda há já alguns anos e que parece que assim se vai manter durante algum tempo. Obviamente que não tenho nada contra isso até porque toco alguns temas techno nos meus sets, apesar de não ser um DJ cuja base seja esse estilo. Gosto de alguns dos temas que saem neste momento, embora já não seja tão fã da "nova" moda do techno mais rápido (para cima de 130/132 BPMs) que é bastante popular neste momento e que projectou vários DJs para a ribalta nos últimos tempos. Talvez porque, embora para a malta mais jovem seja uma sonoridade nova, alguns dos temas que estão na moda aos meus ouvidos soam-me ao techno que se tocava nos anos 90, inícios de 2000 com alguns sons novos, mas cuja base é bastante parecida e por isso não me soa a "novidade". Mas o certo é que há milhares de pessoas que seguem esse estilo e que enchem pavilhões, clubs, eventos e que para eles é uma sonoridade totalmente nova, coisa que entendo perfeitamente e que respeito totalmente. 

Mas será mesmo necessário que de repente quase toda a gente "viva para o techno", "respire techno" e seja "techno fanatic"? Entendo que seja o estilo musical mais "underground" que está na moda, mas ver alguns artistas (e muitas pessoas) que até à bem pouco tempo diziam mal do techno em favor de outros estilos (não só EDM) que agora são "techno addicts" faz-me alguma confusão. 

Tal como disse antes, obviamente que não tenho nada contra os artistas que mudam de estilo musical, isso faz parte do percurso de vida, da evolução pessoal de cada um, e é uma situação perfeitamente normal. O que me faz confusão é o aproveitamento de alguns em "mudar" para o estilo que está na moda dizendo mal do estilo que lhes deu muito dinheiro a ganhar. Quer publicamente quer em privado. Os Ingleses têm uma expressão para isso, chamam-lhe "jump on the bandwagon".

PS: Recentemente o DJ e produtor de EDM Hardwell comunicou que ia fazer uma pausa nos seus gigs por tempo indefinido para se dedicar a ser "Robbert e deixar de ser Hardwell 24 horas por dia" devido à pressão que isso significava na sua vida pessoal e ao efeito que estava a ter sobre a sua criatividade como artista. O que me levou a ler mais uma vez a crónica anterior que escrevi para a 100% DJ sobre o falecimento de Avicii. A vida de um DJ de topo com uma agenda internacional como Avicii ou Hardwell tinham, não é nada fácil. Felizmente Hardwell percebeu onde estava o seu limite e conseguiu parar a tempo...
 
Carlos Manaça
DJ e Produtor
 
(Carlos Manaça escreve de acordo com a antiga ortografia)
Publicado em Carlos Manaça
sexta, 09 fevereiro 2018 21:24

Recap da música electrónica

Um novo ano começou e aceitei, mais uma vez, o convite da 100% DJ para deixar alguns artigos de opinião para os leitores/utilizadores deste portal que tem prestado um serviço de informação isento e de qualidade sobre a indústria da música electrónica em Portugal. 

Não tenho a presunção de achar que sou um conhecedor profundo ou um "visionário" do que se irá passar no futuro mas lanço o desafio a quem não leu artigos de opinião anteriores e publicados neste portal para que percebam um pouco que há sinais que surgem e que quem trabalha neste meio consegue sentir e prever mudanças e que na altura foram alvo de imensas críticas. 

Tive o privilégio de assistir ao início do aparecimento da música electrónica em Portugal e aos primeiros DJs que ousaram agarrar nos "martelinhos" e fazer uma carreira. Sinto a tristeza inerente de ter visto muitos deles desaparecer devido ao aparecimento das novas tecnologias, ao "facilitismo" da produção musical onde tudo passou a ser "informatizado" e as "máquinas" foram metidas para um canto e onde um PC, um teclado e uns programas informáticos bastam para que saia uma obra musical. 

Na ultima década assistimos a uma autêntica "epidemia" de novos DJs e produtores musicais que julgaram que tinham encontrado o "El Dorado" na música electrónica. 

Deixo uma pergunta: 
- Onde estão 80% desses DJs que apareceram do nada e desapareceram mais rápido do que surgiram?

Poucos, muito poucos, são os DJs que surgiram nos últimos cinco anos e que continuam no mercado. Apenas permaneceram aqueles que souberam adaptar-se às mudanças (leiam os artigos anteriores que mencionei) e outros que souberam profissionalizar-se. Continuamos a ter os "velhinhos" e aqueles que fizeram uma carreira (mais de 10 anos no mercado) como referência e a manterem a indústria em movimento por um único motivo... quiseram uma carreira e deram atenção ao mais importante - A Música. 

A música electrónica (seja qual for o estilo) não é diferente de outro tipo de música qualquer. Tivemos o "boom" da Kizomba e assistimos à sua queda. Temos agora o Hip Hop em alta  e que está a cometer o mesmo erro que a Kizomba. Tenho a certeza que daqui a uns anos vamos todos olhar para trás e só conseguimos lembrar-nos de meia dúzia de nomes que marcaram estes estilos e que vão continuar no mercado no futuro. Façam esse exercício para a Kizomba e vejam se conseguem dizer 10 nomes de artistas portugueses ou que estivessem no mercado português, quando foram mais de uma centena que percorreram palcos e clubes deste país. 

A música electrónica sofreu (está a sofrer) o mesmo "problema". Está a haver a triagem natural do mercado. Quer pela qualidade, quer pela "oferta vs procura". 

Olhem para esta indústria como um negócio, para vocês como um produto e para música como arte. Só assim poderão ter sucesso. Querer vender arte (leia-se múisica) sem a divulgar, dificilmente haverá quem a queira comprar. Tenham um produto (leia-se DJ + Música) que seja apetecível ser adquirido e para isso é preciso olhar para a indústria como um negócio. 
Se não pensares desta forma ou quiseres apenas ser "um artista", lembra-te que os maiores artistas só tiveram reconhecimento depois de falecerem... 
A escolha é tua...
 

Ricardo Silva
DWM Management
Publicado em Ricardo Silva
segunda, 23 julho 2018 22:25

Clubs vs Festivais

Nesta crónica resolvi abordar um tema que considero bastante questionável, actuações em Clubs e Festivais. Qual o mais indicado, preferido ou recomendável... segue a minha opinião.

Em época de Verão, sinónimo de calor, férias e festas ao ar livre chegam os inúmeros Festivais. Actualmente em Portugal podemos orgulhosamente dizer que temos alguns dos melhores eventos "outdoor" do mundo, sendo de forma originária ou em parceria, consecutivamente de forma positiva a maioria dos principais nomes mundiais passam assiduamente pelo nosso país, contribuindo para a economia, distinção no panorama ou simples facilidade de acesso ao entretenimento.

Várias vezes sou questionada acerca de qual o meu formato de evento preferido para participar, embora a resposta não seja fácil é simultaneamente bastante objectiva, um evento num Club tem uma capacidade mais reduzida, o que origina um público e tipo de evento mais canalizado e direcionado ao cliente alvo, consequentemente são festas mais pequenas, mas mais calorosas onde tenho mais contacto directo e comunicação com o público. Embora neste caso, maioritariamente "não seja tão favorável" a nível de exposição artística e marketing, quando comparado com um festival, mas neste caso a interactividade é única, o que proporciona uma experiência mais intensa e directa.

Por outro lado, temos o ponto de vista dos grandes palcos e dos eventos de maior dimensão, nestes casos, a exposição a nível de promoção consegue no geral ser de maior alcance, embora a interacção com o público seja diferente, não significando que seja pior. Neste caso em palco, exijo mais de mim pois tenho que agradar a mais público, embora em paralelo me divirta imenso pois tenho "mais braços no ar" e euforia concentrada. Contudo, isto não faz com que os eventos maioritariamente agendados para mim, Clubs e de pequena dimensão, tenham menor importância ou significado.

No mercado "underground" é normal que os eventos sejam de menor capacidade e direcionados para um nicho de mercado mais reduzido, ao mesmo tempo que os festivais e eventos de maior afluência são fundamentais, tanto para a exposição a nível de promoção como para conseguir mostrar em massa a um número maior e significativamente estreante o meu trabalho e aquilo que define a "Miss Sheila".

Após o mencionado, é relevante resumir que adoro participar em ambos os tipos de eventos, não esquecendo as diferenças, ambos são importantes e um pilar na carreira de um artista como eu. Relevante também é o facto, de que sempre fui bastante grata por conseguir marcar presença de forma significativa em ambas as situações expostas aqui, desde o início da minha carreira.
Publicado em Miss Sheila
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