16-11-2018

  Diretor : Ivo Moreira  |  Periodicidade : Diária

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Por: Redação 100% DJ | Fotografias: Gonçalo Dourado

O final do mês de julho ficou marcado pela quarta edição do festival Dancefloor, que se realizou em Leiria, no estádio municipal. Durante dois dias, a cabine foi ocupada por diversos nomes sonantes da eletrónica nacional e internacional como é o caso de Nicky Romero, Borgore, Blasterjaxx, NEW_ID, os portugueses KEVU e Vendark. No preciso momento em que a organização está a realizar o balanço desta edição e a projetar novidades para próximos anos, o Portal 100% DJ esteve à conversa com Tiago Martins, rosto da equipa que organizou este evento que, mais uma vez, se pautou pela qualidade não só no cartaz como na própria estrutura e conceito, que saiu a ganhar.

Que balanço faz das quatro edições do festival?

No exato momento em que nos encontramos, em pleno balanço desta edição, somos forçados, e sem qualquer presunção, a afirmar de que se trata de um balanço extremamente positivo. O festival tem correspondido exatamente ao crescente investimento realizado. Julgo que a edição deste ano terá tido o condão de cimentar o Dancefloor como um festival de referência à escala nacional e internacional. O conceito está agora mais consolidado, mas amadurecido. Limámos muitas arestas no transcurso deste tempo de trabalho, contudo estamos conscientes que a escala destas realizações implica um compromisso de aprendizagem constante e uma atenção muito assertiva na análise do feedback que nos vai chegando dos nossos públicos e dos nossos parceiros. É seguro pensarmos que estamos no caminho certo, que hoje há uma marca Dancefloor, com uma identidade muito personalizada e diferenciadora. Por hipótese, este ano ficou marcado por um afluxo admirável de públicos estrangeiros que se deslocaram de propósito a Portugal para fazerem parte do evento. Este dado elucida-nos acerca da relevância do nosso festival à escala internacional, o que nos enche de orgulho e satisfação e, por outro lado, nos confere uma responsabilidade acrescida de manter, e mesmo superar, o nosso padrão de qualidade. Um par de aspetos que nos merece toda a atenção prende-se com a compaginação das acessibilidades e do parque hoteleiro disponível às necessidades e escala do evento. Gostaríamos que, em próximas edições, tivéssemos a possibilidade de ter o público alojado em unidades hoteleiras o mais próximo possível do recinto do evento. Este ano, esse desejo não foi concretizado a 100%. 

Porquê a escolha de Leiria e de um estádio para a realização deste festival?

Leiria é uma cidade com características muito especiais: para além de ser uma cidade muito central do ponto de vista geográfico, é uma cidade que atravessa um momento magnífico de transformação interna. É uma cidade com uma população muito jovem e dinâmica e o seu enquadramento cultural e natural é, em si mesmo, um fator mobilizador. Existe igualmente uma expressiva comunidade de emigrantes com origem nesta região que procura conciliar as suas férias de verão em Portugal com as datas do festival. Um outro motivo, e este é um motivo extremamente relevante para nós, tem que ver com a parca oferta de eventos desta natureza nesta região, o que de certa forma concorre para uma crescente descentralização na oferta de grandes eventos culturais no território nacional. Julgo que os valores da nossa marca se relacionam de forma muito harmoniosa com os valores da região e da cidade de Leiria. Quanto ao estádio: o Estádio Municipal de Leiria é um equipamento que nos oferece todas as condições logísticas que um evento desta natureza requer. É um estádio moderno, localizado no miolo do tecido urbano da cidade, o que facilita em muito a implementação do nosso plano de segurança, a circulação de artistas, público e staff, bem como nos possibilita uma certa elasticidade na reconversão das estruturas já existentes, como os camarotes e os espaços dedicados a ações comerciais dos nossos parceiros. A escala é outro fator decisivo: poucos espaços nos oferecem a possibilidade de criar uma pista de dança para acomodar confortavelmente 10.000 espectadores e ainda ter a capacidade de ser expansível – tanto a pista como o palco – em edições vindouras.

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É seguro pensarmos que estamos no caminho certo, que hoje há uma marca Dancefloor, com uma identidade muito personalizada e diferenciadora. Por hipótese, este ano ficou marcado por um afluxo admirável de públicos estrangeiros que se deslocaram de propósito a Portugal para fazerem parte do evento. Este dado elucida-nos acerca da relevância do nosso festival à escala internacional, o que nos enche de orgulho e satisfação.

O que é que um estádio pode oferecer, em comparação com outro recinto ou club?

Para além das questões relacionadas com segurança, circulação, expansibilidade e de natureza logística que já referi, as diferenças significativas ficam por aí. Temos feito os possíveis para proporcionar ao público uma verdadeira experiência de clubbing: som, luzes e elementos multimédia no interior do recinto são trabalhados minuciosamente na expectativa de recuperarmos a atmosfera única dos clubs mais icónicos de inspiração EDM. Julgo que este trabalho tem sido bem conseguido.

 

O género hardstyle é um dos pontos fortes deste festival, que atrai muito público. Vai continuar a ser uma aposta?

Sim, sem dúvida alguma. Temos de nos lembrar que somos o primeiro festival do género em Portugal. Logo daí surge-nos uma responsabilidade acrescida e um desejo de compromisso. A comunidade envolvida é-nos muito importante, até pela relação próxima e colaborativa que estabeleceu nestes anos com o festival. Embora em Portugal estejamos a falar de um nicho de mercado relativamente pequeno face a outros géneros musicais, é já possível identificar um crescimento continuado que nos permite fazer a leitura de que o Dancefloor se tem vindo a assumir como um trendsetter incontornável na educação e criação de novos públicos no país.

 

A forma aberta e descontraída com que comunicam o evento é uma forma de aproximar o público alvo do festival?

Gosto de acreditar que consigo fazer passar os meus valores, as minhas ideias, a minha energia à comunicação do festival. Eu sou jovem, sou dinâmico; devo transparecer isso mesmo em tudo o que faço. É uma questão de honestidade e de entrega. Acredito que a verdadeira comunicação, aquela que realmente funciona, que cumpre a sua função, deve ser o mais informal, íntima e participada possível. Podemos dizer que o sistema nervoso da nossa comunicação visa, acima de tudo, uma relação próxima, entre pares, uma interação efetiva, vibrante, o estabelecimento de um código comum. 

No ano passado o Leiria Dancefloor foi nomeado em duas categorias nos Iberian Festival Awards e nos UK Festival Awards. Como vê este tipo de nomeações?

Bom, antes de mais vimos com alguma surpresa. Estamos conscientes que somos um festival relativamente novo, em fase de crescimento, de aprendizagem, mas talvez nunca deixe de assim ser. Se nos convencermos que nada mais há a aprender, estagnamos, conformamo-nos, encerramo-nos sobre nós próprios. Isso não nos interessa. Por isso, essas distinções são um tónico, um estímulo muito forte, um reconhecimento de que o nosso trabalho faz sentido, faz a diferença. A principal validação será sempre aquela que vem do nosso público, dos nossos parceiros, dos artistas que se envolvem ano após ano com o evento. Contudo, estaria a mentir se não assumisse que este reconhecimento nos enche de orgulho e nos dá um extra de motivação para continuarmos a merecer esta atenção.

 

Pode desvendar-nos alguma novidade sobre a edição do próximo ano? Datas, artistas...

Neste momento ainda vivemos sobre o rescaldo da edição deste ano. Estamos a absorver tudo o que se passou, daí que nos seja complicado estar a adiantar o que quer que seja sobre a próxima edição. A única coisa que estamos em condições de assegurar é que teremos, uma vez mais, um grande cartaz. Ainda não temos datas definidas nem certezas quando à cidade do país que irá acolher o festival. Temos sido contactados por outras cidades interessadas em receber o evento. Vamos auscultar e analisar criteriosamente todas as possibilidades. A experiência do crescimento do festival em Leiria tem sido muito importante e muito gratificante. Tem sido igualmente gratificante a fidelidade ao nosso modelo, ao nosso desígnio de trabalhar em prol da descentralização da oferta cultural. O interesse de outras cidades – ou municípios – em acolher um evento como este, não se prende somente com os proventos da atividade turística; há um conjunto de valores que são a bandeira da nossa marca, e que revertem de forma tangível em favor das comunidades locais: a segurança, a nossa intransigência com as questões ambientais e ecológicas e as diversas ações de solidariedade. Não se tratando de novidades passíveis de serem desvendadas, são matérias que consideramos inalienáveis.

Temos sido contactados por outras cidades interessadas em receber o evento. Vamos auscultar e analisar criteriosamente todas as possibilidades. A experiência do crescimento do festival em Leiria tem sido muito importante e muito gratificante. Tem sido igualmente gratificante a fidelidade ao nosso modelo, ao nosso desígnio de trabalhar em prol da descentralização da oferta cultural.

Que artistas gostaria de trazer ao Dancefloor?

Seria incapaz de nomear qualquer nome. São tantos os motivos que me impedem de o fazer… se atentarmos ao espectro do hardstyle, concluiremos que existe um número cada vez maior de novos artistas a surgirem todos os anos com uma solidez impressionante. Ao passo que assistimos à consolidação global de artistas cujos trajetos nos dão motivos de sobra para os manter debaixo do nosso radar. O que realmente desejo é poder, todos os anos, apresentar o melhor cartaz possível, combinar as maiores estrelas internacionais da cena EDM com talentos emergentes locais; exemplo cabal dessa fusão foi a prestação do duo KEVU nesta última edição. Este trabalho com jovens músicos locais é uma ideia para ter continuidade. Daí que a nossa exigência incida, acima de tudo na qualidade do trabalho dos artistas; não nos interessa se são nomes sonantes que façam um cartaz bonito. Se são excelentes, é com esses que queremos contar.

 

O Portal 100% DJ foi Media Partner da edição deste ano do Dancefloor. De que forma é importante esta parceria?

O Portal 100% DJ granjeou para si mesmo um lugar entre as plataformas de referência na cena EDM. Trabalhar ao lado de projetos de excelência será sempre o fator que só pode acrescentar valor à nossa marca. Esta parceria é um desses casos. É fundamental, quer para o festival em si, como para todos os agentes envolvidos nesta cena musical. Ao mesmo tempo é uma forma de reconhecimento do trabalho e da paixão que temos vindo a investir neste evento. Só posso aspirar a continuar a dar-vos motivos que sejam merecedores desta atenção.

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