Diretor Ivo Moreira  \  Periodicidade Mensal
sábado, 17 outubro 2015 22:33

“To sync or not to sync”

Este é um tema sobre o qual recebo algumas perguntas nas minhas redes sociais e que até agora não tenho comentado ‘publicamente’ nas minhas crónicas. Tem havido algum debate sobre este assunto (que felizmente abrandou nos últimos tempos), mas de vez em quando volta a ocupar muito espaço nas redes sociais e fóruns. E há posições totalmente ‘extremistas’ quer de um lado, quer do outro!
 
De um lado, surgem aqueles que defendem exclusivamente a utilização dos pratos pelos DJs, o vinil como suporte musical, renegando outros suportes ou sistemas digitais como meio de ‘distinguir’ os ‘verdadeiros DJs’, desqualificando aqueles que não o fazem.
 
Do outro lado, temos os que dizem que o “vinil está totalmente desactualizado” e “fora de moda” e que os que usam os sistemas como Traktor, Serato (ou outros) é que estão ‘à frente’, muitas vezes catalogando de “antiquados” os DJs que ainda usam exclusivamente (ou quase) o vinil como formato. 
 
É verdade que o avanço da tecnologia, a divulgação e popularidade de sistemas como o Traktor e o Serato, veio permitir a muitas pessoas de outras áreas e que não tinham qualquer passado como DJs, actuarem em clubs ou eventos, uma vez que a sincronia entre as músicas é relativamente fácil com estes sistemas digitais. Até ao aparecimento destes sistemas, o ‘beat matching’, o acertar de batidas entre dois (ou mais) temas, era quase uma ‘arte oculta’ para as pessoas ‘normais’, ou pelo menos era uma tarefa que demorava algum tempo para ser aprendida, o que levava a que só alguns se aventurassem a tentar fazê-lo. 
 

Com a mediatização que o papel do DJ teve nos últimos anos, era normal que houvesse este aumento repentino no número de DJs.

 
Com a mediatização que o papel do DJ teve nos últimos anos, era normal que houvesse este aumento repentino no número de DJs. Se a tecnologia permite uma maior facilidade no djing, era só uma questão de tempo até muitas pessoas, que até aí nunca tinham entrado numa cabine, tentassem a sua sorte.
 
Esta repentina ‘invasão’ de DJs no mercado veio despertar o ‘fundamentalismo’ de alguns, defendendo que só através do vinil (ou CD’s - embora os últimos leitores de CD da Pioneer também já tenham o botão SYNC) se pode apreciar o ‘verdadeiro DJ’, uma vez que com um computador portátil “qualquer um pode ser DJ”. Houve até alguns clubs em que chegaram a proibir os ‘sets’ com Traktor ou Serato e cancelaram alguns artistas que os usavam.
 
Acontece que o ‘beat matching’ é só um dos factores que um (bom) DJ tem que dominar num set... A verdade, é que em todos estes anos já ouvi grandes sets em vinil, em CD (sem SYNC) com Traktor (ou Serato) com SYNC e também já ouvi alguns não tão bons em todos estes formatos... Por isso digo e repito, ser DJ não é só saber acertar batidas, sincronizar dois ou mais temas simultaneamente. 
 
Há muitos outros factores que contribuem para um grande (ou mau) set. Saber usar a mesa de mistura, os volumes, conhecer os temas que se vão tocar, perder horas a procurar/selecionar a música que se vai usar, ‘organizá-la’ para um set (não gosto da expressão ‘programar um set’, porque acho que isso não se programa) saber criar momentos, manter o público a dançar durante duas, três ou mais horas, não é tarefa fácil... E isso não vem incluído nos programas que permitem o SYNC dos temas.
 
É verdade que nos últimos anos se assistiu a uma aproximação de alguns top DJs às ‘playlists’ usadas pelas rádios. Não tenho nada contra isso, até porque esses artistas movem milhares de pessoas e enchem clubs, eventos e festivais. Mas esse factor - o facto de um DJ set de muitos top DJs ser composto de muitos temas que tocam nas rádios generalistas, aliado à facilidade que a tecnologia veio trazer, fez com que muita gente que até agora nunca tinha pensado em passar música entrasse no ‘circuito’ de DJs em Portugal (e não só). E isso veio criar alguns preconceitos contra o uso de laptops no DJing…
 

Sinceramente não tenho saudades da altura do vinil, até porque foram muitos quilómetros e horas a carregar malas de 120 discos.

 
Na minha opinião, o que conta realmente é a MÚSICA. Se esta é transmitida através de vinil, de CD’s, de um programa, de que forma for, é o resultado final do set que me importa. Se o DJ consegue fazer-me dançar durante uma, duas, três horas, se gosto da música dele, não me interessa qual o formato em que ela me chega... Tive o prazer de estar horas ao lado de DJs que só usaram dois pratos Technics e fizeram sets INCRÍVEIS, mas também assisti a alguns sets de DJs que montaram dois computadores portáteis, uma Maschine (uma caixa de ritmos da Native Instruments) dois controladores X1 da Native Instruments, uma caixa de ritmos, entre outras coisas e o resultado final não foi tão bom como outros DJs que usaram só os dois pratos...
 
Não tenho qualquer problema em usar o SYNC nas minhas actuações com o programa Traktor. Se a tecnologia está aí, não vejo o porquê de não a usar. Sinceramente não tenho saudades da altura do vinil, até porque foram muitos quilómetros e horas a carregar malas de 120 discos. Mesmo que agora decidisse voltar a usar só o vinil, a maior parte das cabines dos clubs ou eventos já não estão preparadas para esse formato e iria ter problemas em conseguir temas de alguns artistas que neste momento só existem em formato digital.
 
É óbvio que quando chegas a um club ou evento e vês uma parafernália de equipamento montado para o DJ actuar, visualmente isso cria alguma expectativa. Mas no final, o que interessa é a capacidade desse DJ te levar numa ‘viagem’, fazer-te dançar, fazer-te ‘explodir’ num momento, fazer-te abrandar noutro momento e conseguir que vibres com a sua música. E isso pode acontecer tanto com um artista que usa dois (ou mais) pratos e discos em vinil (ou CD) sem SYNC, como com um DJ que usa um programa como o Traktor, (ou outro) com SYNC. Na minha opinião, o que interessa é o resultado final e não o método para o alcançar...
 
Carlos Manaça
 
(Carlos Manaça escreve de acordo com a antiga ortografia)
Publicado em Carlos Manaça
Para a minha última crónica de 2019 decidi dar continuidade ao último tema abordado por mim, a celebração dos meus "20 Anos de Música". O evento foi realizado no passado sábado 7 de Dezembro e teve lugar no Pacha Ofir.

O alinhamento foi cuidadosamente pensado ao pormenor e tive como convidados: Chus & Ceballos, artistas que admiro e que foram uma forte inspiração para o meu início, não só pelo trabalho desenvolvido em prol da electrónica a nível mundial mas também devido à label que fundaram coincidentemente há também 20 anos, a Stereo Productions. Coyu, o espanhol proprietário da conceituada Suara, editora e fundação de apoio aos gatos abandonados, trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por Ivan (Coyu) em Barcelona, e projecto que sem dúvida admiro e respeito bastante, ele é também um dos artistas Techno mais respeitados do momento, género que muito se identifica comigo. Pig&Dan, DJs e Produtores de excelência, são bastantes as edições desta dupla Britânica que uso nos meus sets, são um dos mais sucedidos projectos da famosa Drumcode de Adam Beyer. Rafa Barrios, mais um grande artista e amigo, conheci-o na primeira vez que veio a Portugal, através da minha agência Next Bookings, que o representa em Portugal desde esse dia, Rafa tem apoio incondicional de Carl Cox que curiosamente tocou 10 temas originais dele num único set, entre muitos outros artistas de primeira liga que o apoiam de forma consistente, devido às suas produções de qualidade. 

A nível nacional marcaram presença, Fauvrelle, mais um artista e amigo que admiro, considero-o o melhor produtor a nível nacional. Nuno Clam, residente em Esmoriz, temos importante ligação musical deste muito cedo. Nunno aka Nuno Lapa (Babalu), o nome mais importante no panorama underground da zona Centro, mais concretamente em Coimbra, reside atualmente na Suíça onde promove a sua carreira a nível profissional também com a Next Bookings. Eat Dust, conhecido pelo forte apoio de Marco Carola às suas produções. Tiger Lewis, residente do antigo Buddha Club e nome assíduo dos melhores Clubs do nosso país. O imprescindível Nelly Deep, residente do Pacha Ofir há mais de 20 anos, o "Master of Ceremony" Johnny Def, e para complementar o cartaz decidi juntar dois veteranos da dance scene nacional, Carlos Manaça e XL Garcia, que regressaram ao Pacha Ofir em modo "Back 2 Back" ao final de muitos, muitos anos.

Pacha (Ofir), foi o local escolhido, não só pela capacidade e condições como também pelo historial e tudo o que este Club significa para mim e para a electrónica em Portugal, foi a minha primeira escolha e fiquei bastante satisfeita por terem aceite este "desafio".

A produção do evento, e agora voltando um pouco à primeira parte desta crónica, "20 Anos de Música" e a outro tema aqui abordado por mim "A máquina atrás do artista", foi algo planeado de uma forma bastante meticulosa. Foi algo muito importante onde todos os detalhes foram da maior significância e pensados ao pormenor.
Planeei juntamente com a minha "equipa" o que queria a nível de estratégia de marketing, imagem, condições, decor, etc. Felizmente tudo correu como planeado: o local, o alinhamento, a campanha planeada e os convidados.

Preparei também um tema original em estúdio, intitulado de Miss Sheila-20YOM que saiu precisamente no dia do evento, 7 de Dezembro, pela minha editora Digital Waves. E que assinala este marco tão importante para mim.

Para um artista, a parte da co-organização de um evento, ocupa um espaço que deve ser mais dedicado à parte criativa e preparação para as atuações, etc. Mas foi com imensa satisfação que conduzi e ajudei em todo o processo dos "20 Years Of Music" desde o início até ao final. Foi um trimestre intenso de trabalho árduo e preocupação, de forma a que tudo corresse como planeado. Felizmente correu e sinceramente não mudaria nada.

Agradeço imensamente o apoio de todos os que fizeram parte deste trajecto, desde o dia um, onde fiz a primeira atuação ao vivo na Studio 55 em Espinho e fui prontamente agenciada pelo Paulo Almeida (Feedback Agency), que foi a primeira pessoa a apostar na "Miss Sheila". Posteriormente vieram outros a quem devo o mesmo respeito e gratitude, como é o caso do meu caro amigo António Cunha (RIP), o meu querido irmão Carlos Lopes, foi mais que um Manager e Agente, um verdadeiro braço direito. E claro ao meu atual Manager e Booker que todos sabem o quanto atualmente é importante para mim e para a minha carreira, Américo Oliveira (Next Bookings).

A todos estes e a todos os outros que de alguma forma intervieram, no meu sucesso, estou infinitamente grata! Fiquei da mesma forma grata por todas as entidades que apoiaram de alguma forma este acontecimento, nada me faz sentir mais grata do que ver o respeito e consideração de todos pelo meu trabalho, agora sei que realmente fiz algo pela dance scene, e é isso que quero continuar a fazer.

20 anos já passaram, muito obrigado a todos, como é obvio aos fãs, sem o apoio deles nada seria possível, assim como todos os que de alguma forma ajudaram ao meu grato sucesso, esta celebração é de todos, venham mais 20!
 
Publicado em Miss Sheila
domingo, 17 setembro 2017 19:54

A máquina atrás do artista

Da minha objectiva este é um tema que já foi em certos aspectos mencionado, mas nunca abordado na sua plenitude. Mediante o meu ponto de vista singular esta é uma questão muito importante numa carreira artística, independentemente do género musical, pois para além de todo o trabalho efetuado pelo artista, é não menos importante o papel de quem o trabalha em conjunto, divulga e impulsiona, originando consequentemente todo o sucesso e fruto de um trabalho de equipa.
 
Numa era em que as tecnologias assumem cada vez mais um papel fundamental na divulgação do trabalho desenvolvido, neste caso por um profissional no ramo da música, não podemos de forma alguma descurar por exemplo quem faz a gestão de calendário (booker), "management" ou "advise" artístico, criação e elaboração de conteúdos, assim como quem se responsabiliza pela devida atualização de algumas das mais importantes redes sociais como o Facebook, Instagram ou Twitter.
 
Estes cargos ou responsabilidades, como queiram chamar, geram tempo livre para alguém como eu poder continuar a criar com a "cabeça livre" de todas estas preocupações "cibernéticas" e simplesmente focar-se na criação e atuações ao vivo. Obviamente que a maioria destas questões finais anteriormente deliberadas, são provenientes da minha palavra e aprovação final, contudo isso não coloca em causa a importância da "máquina" que trabalha comigo.
 
Faço parte de uma agência (Next Bookings), onde felizmente sinto todas as posições desde o "Manager" ao "Booker", passando pelos artistas gráficos (Feel Creations-Atelier Multimédia) até à contabilidade em perfeita harmonia, até nos dias mais difíceis… sim, porque nem sempre é tudo tão simples como parece.
 
Uma vez li um artigo em destaque numa revista mundialmente conceituada e dedicada ao ramo da eletrónica, onde mencionavam que um DJ atualmente tinha de ser: Relações Publicas, "Booking Agent", Designer, Programador Web, Profissional das Redes Sociais, Herói de Merchandising, etc… pode parecer algo exagerado, de facto até concordo… mas não se tivermos uma boa "máquina".
 
Resumidamente, se reunirmos os profissionais indicados de cada área específica e necessária na nossa equipa, aliados obviamente, ao nosso talento individual enquanto artistas, o resultado final será visível com sucesso e satisfação.

Miss Sheila
DJ
www.facebook.com/djmisssheilapt
Publicado em Miss Sheila
terça, 16 março 2021 22:12

Oportunidade perdida?

O mundo parou e Portugal não foi excepção, levando a uma paragem forçada da Cultura, da indústria da música electrónica e aos DJs em particular que ficaram privados das suas actuações junto do público, trazendo novamente a debate a ausência total de reconhecimento profissional e regulamentação para o exercício da profissão. 

Se é verdade que estamos a falar de uma arte, também é verdade que a arte tem de ser remunerada e quem a faz precisa de viver como qualquer outro profissional de outra área qualquer, no entanto há imensos DJs a "teimar" em como está tudo bem e com opiniões diferentes quando há quem realmente queira alterar esta situação e que tenha "sentido na pele" a ausência do reconhecimento profissional numa altura em poderiam ter chegado apoios culturais se houvesse fundamentação para essa reivindicação legítima de quem contribui para a economia do País e para a Cultura. 

É verdade que a comunidade DJ Portuguesa está "escaldada" com o aparecimento de associações que não os representa mas não podemos continuar a assistir a que "nomes maiores ou menores" deste sector sejam reconhecidos pelo seu trabalho e pelo que deram ou dão em prol desta indústria e que estejam literalmente a passar fome porque há uma "carolice" e falta de união entre os profissionais portugueses. 

Não há necessidade de "obrigar" ninguém a tirar cursos, pagar licenças (como já tentaram fazer) ou fazer testes como se isso validasse o que é um DJ. 
Falo de haver um reconhecimento profissional, uma categoria profissional específica onde possamos ter dados de quantos somos, quem somos, quanto representamos no PIB Português e onde haja alguém que possa apoiar toda uma classe e elucidar dos Milhões de euros que estão a ser perdidos em direitos de autor (para os produtores), direitos conexos (que desconfio que nenhum DJ esteja a receber) e que haja apoios sociais em alturas que eles são necessários como a altura em que estamos a viver à mais de 1 ano. 

Não há culpados desta situação mas há responsáveis e essa responsabilidade recai em todos os que vivem e trabalham nesta indústria (onde assumo a minha quota parte da responsabilidade) mas espero que esta não seja uma "oportunidade perdida" e que de uma vez por todas possamos juntar todos aqueles que queiram debater e encontrar soluções na procura do bem comum desta área artística que é menosprezada e até discriminada pela própria Cultura. 

Não podemos deixar fugir esta oportunidade porque quando tudo voltar ao normal, todos iremos esquecer o que estamos a passar e só quando houver algo similar iremos lembrar-nos do que poderíamos ter feito e será tarde demais. 

Não faças deste mau momento mais uma oportunidade perdida.
 
Ricardo Silva
Agente Artístico, Empresário e Presidente APENT
Publicado em Ricardo Silva
A minha crónica este mês é sobre aquilo que eu acho que pode vir a dar uma grande ajuda à sobrevivência das pequenas (e grandes) editoras como a Magna Recordings: o serviço de streaming. Com as vendas de música para download a descer de ano para ano (pelo menos é o que nos dizem as principais lojas online...) e o hábito cada vez mais generalizado das gerações mais novas de "sacarem" tudo grátis da internet, os serviços de streaming podem vir a ser a nossa "tábua de salvação" nos próximos anos. É um facto que é muito mais cómodo ouvir as músicas que queremos quando queremos, online, do que ter um monte de temas no telemóvel/iPad/computador, a ocupar espaço no disco (espaço que muitas vezes é limitado) e que, com o passar dos anos, se torna num problema, se não andarmos sempre a apagar o que já não ouvimos. E com o tamanho dos pacotes de dados oferecidos pelas principais empresas de telecomunicação hoje em dia, fazer streaming já não esgota os megas disponíveis, como acontecia há uns (poucos) anos atrás.

No entanto, o streaming já levantou problemas sérios entre os artistas/editoras e algumas das plataformas mais importantes, como é o caso do Spotify. Não podemos esquecer que estas empresas têm como objetivo principal o maior lucro possível, e ao terem um produto cujo número de plays está (quase) totalmente nas suas mãos, torna-se muito difícil para o artista/editora ter algum controlo sobre esses números. Na realidade, estas empresas pagam o que lhes apetece pagar. É certo que pelo contrato podes pedir uma auditoria aos números de plays, mas dificilmente os pequenos artistas/editoras têm recursos para o fazer e mesmo as grandes editoras tiveram problemas com isso. 

É conhecida a polémica do caso da cantora Taylor Swift que em 2014 retirou o álbum "1989" e todo o seu catálogo anterior do Spotify quando recebeu os primeiros relatórios de plays porque eram, segundo ela, "ridículos". Entre 2014 e 2017 todo o seu catálogo esteve fora do principal serviço de streaming (que neste momento já conta com mais de 100 milhões de usuários) o que desagradou à sua grande legião de fãs. Mas a explicação de Taylor Swift sobre os motivos dessa sua atitude fez, para mim, todo o sentido.

Segundo ela e o presidente da sua editora, era uma tremenda falta de respeito para as pessoas que tinham comprado o álbum completo em download por 12,99 dólares que os usuários do Spotify pudessem ouvir os mesmos temas, grátis, embora com anúncios entre os temas. Ou a pagar 9,99 dólares por mês no serviço premium, sem anúncios, para ouvir uma quantidade ilimitada de música, onde estariam incluídos os temas do novo álbum. E quando chegaram os primeiros relatórios de plays no Spotify do álbum "1989" que tinha acabado de vender nessa semana 1.3 milhões de cópias para download, foi a gota de água que a fez retirar todo o seu catálogo da principal plataforma de streaming. 

Segundo ela, só quando o Spotify pagasse "justamente, aos autores, editores, produtores, músicos, e a toda a gente envolvida no processo de criação musical de um álbum/single, é que voltaria a disponibilizar o seu catálogo no Spotify". Parece que isso foi conseguido em 2017 porque após uma renegociação do seu contrato, todo o seu catálogo voltou a estar disponível no Spotify, para grande alegria dos seus muitíssimos fãs no mundo inteiro.
 
Para facturarmos 1.300 euros relativos ao streaming de um tema, na Pandora teríamos que ter à volta de 87.500 plays e no Youtube 1.890.000 (!!). No Spotify são necessários aproximadamente 356.850 plays de um tema para podermos facturar os mesmos 1.300 euros, valor que obviamente estará sujeito aos respectivos impostos antes de chegar às nossas mãos.

Em 2015, e também depois de receber relatórios de plays de Spotify, que segundo eles eram "uma vergonha", Jay Z decidiu criar com Usher, Rihanna, Nicki Minaj, Madonna, Deadmau5, Kanye West, entre outros, o TIDAL, o "primeiro serviço de streaming totalmente controlado pelos artistas". Conseguiu ter, numa primeira fase, alguns lançamentos exclusivos, por alguns dias, mas as editoras proprietárias dos álbuns conseguiram, ao fim de algum tempo, disponibiliza-los nas restantes plataformas, o que levou a que a grande vantagem do TIDAL (a exclusividade) se perdesse em alguns dias. Obviamente que isso fez com que a nova plataforma "dos artistas e para os artistas" tivesse grandes problemas de afirmação num mercado já dominado pelo Spotify. O TIDAL apresentou por isso prejuízos crescentes desde 2015, tendo em 2017 vendido 33% à empresa de telecomunicações americana Sprint que injectou de imediato 200 milhões de dólares para viabilizar a empresa que já estava a ser acusada de falta de pagamento de royalties aos artistas e editoras...
É um facto que os pagamentos feitos aos artistas/editoras pelas plataformas de streaming, segundo os últimos dados, é ainda muito reduzido por cada play. Varia entre os 1,5 cêntimos pagos pela plataforma Pandora até aos 0,0066 cêntimos (!!) pagos pelo Youtube. O Spotify paga à volta de 0,0399 cêntimos por play e está mais ou menos a meio da tabela dos pagadores de royalties.

Para termos uma ideia mais concreta do que significam estes valores, para facturarmos 1.300 euros relativos ao streaming de um tema, na Pandora teríamos que ter à volta de 87.500 plays e no Youtube 1.890.000 (!!). No Spotify são necessários aproximadamente 356.850 plays de um tema para podermos facturar os mesmos 1.300 euros, valor que obviamente estará sujeito aos respectivos impostos antes de chegar às nossas mãos.

Eu sei que há muita gente que defende que neste momento é obrigatório estar em todas as lojas de venda online por download e em todos os serviços de streaming para que o nosso trabalho seja visível a toda a gente, e em parte isso é verdade. Mas também é verdade que, com o streaming, mais uma vez, o artista/editora está no "final da linha" no que se refere a receber algum dinheiro que é gerado pelo seu trabalho, pelos seus temas produzidos/editados. São inúmeras horas em estúdio, às vezes investimentos em outros artistas, vocalistas, músicos, etc., que, mais uma vez, na minha opinião, não estão a ser devidamente compensados. 

Esta crónica serve também para anunciar que, finalmente, todo o catálogo da Magna Recordings vai estar disponível brevemente nas principais plataformas de streaming. Finalmente temos um acordo razoável com uma distribuidora que nos vai permitir estar também nas restantes lojas online de download (Traxsource, iTunes, etc) assim como nas principais plataformas de streaming como Spotify, Deezer, Apple Music, entre outras. 

Vamos esperar que isso ajude na divulgação de toda a música que já editámos nos 19 anos que festejamos neste mês de Maio e que ao mesmo tempo também seja uma fonte de rendimentos (por pouco que seja...) para a editora e para os artistas. Algo que ajude a recompensar o esforço que temos ao criar e editar música para que vocês possam disfrutar e dançar, seja em casa, no club ou no evento!
 
Carlos Manaça
DJ e Produtor
 
(Carlos Manaça escreve de acordo com a antiga ortografia)
Publicado em Carlos Manaça
 
Quantas e quantas vezes, depois de um gig, não chegaste a casa ou ao hotel e ainda ouves um zumbido super agudo, que se torna incomodativo, parecendo por vezes que acabamos de sair de um voo de avião? Pois, sofreste de perda de audição temporária. Em princípio os teus ouvidos recuperam, mas com o passar do tempo e com a exposição constante à música demasiado alta, o mais provável é quando acabares a tua carreira de DJ já tenhas perdido grande parte da tua audição.
 
Bem, mas nem tudo está perdido:
 
1. Não bebas enquanto estás a tocar. Eu sei que é uma seca não beber enquanto se toca, mas na verdade o álcool faz com que o volume demasiado alto numas colunas de monição não seja perceptível, ou seja, quanto mais bebes, mais aumentas a monição e mais "estragas" os ouvidos - e nem sequer te dás conta!
 
"O álcool bloqueia especificamente as frequências mais graves, afectando numa maior escala as 1000 Hz, que é a frequência crucial para a perceção de um diálogo. Em conclusão, o álcool afecta a audição sendo que algumas frequências são mais afectadas que outras."
 
2. Desliga a monição entre as misturas. Basicamente, para os DJs a perda da audição não ocorre do ruído excessivamente alto, mas sim do tempo em que estamos expostos a esse ruído alto. Se estivermos atentos aos níveis da monição e se formos diminuindo o volume após cada mistura, os nossos ouvidos vão recuperando ao longo do set. Em suma, aumenta a monição o suficiente para conseguires fazer uma boa mistura e após a mesma, reduz a mesma de forma a que estas te permitam escutar a música não muito alta.
 
Para perceberes melhor do que falo, consulta este estudo que te vai ajudar a compreender os tempos máximos a que deves estar exposto a certos ruídos: http://www.cdc.gov/healthyyouth/noise/signs.htm.
 

(...) Uma vez que estamos expostos a música demasiado alta, o cérebro tem dificuldades em saber o que está alto ou não - e isto piora à medida que vamos tocando.

 
3. Usa um medidor externo de DB. Esta é aquela que nem eu próprio alguma vez fiz, mas convém referenciar. Uma vez que estamos expostos a música demasiado alta, o cérebro tem dificuldades em saber o que está alto ou não - e isto piora à medida que vamos tocando. Por isso, sem um medidor externo torna-se praticamente impossível de controlar o volume.
 
Existem algumas cabines que têm medidores de DBs para controlo da casa e dos próprios DJs. Outros podem usar leitores de DBs especializados ou então, através de apps para o telemóvel. Convém lembrar que os microfones dos telemóveis têm alguma dificuldade em captar as frequências mais graves e em distinguir níveis acima dos 100db.
 
Os níveis recomendados de escuta, em 3 situações diferentes são:
  • 100 dB num festival ao ar livre;
  • 103 dB num clube com um pé direito baixo;
  • 106 dB num clube com uma acústica péssima.
 
Após a mistura, é recomendado que se mantenha a monição nos 90 dBs.
 
4. Proteção feita à medida do nosso ouvido. Esta é a mais cara, mas a mais simples e a mais duradoura. Desde que tenho os meus "custom earplugs" que nunca mais senti aquele zumbido nos ouvidos após um gig. Aliás, já chego aos clubes com eles postos e só quando saio é que os tiro - e parece que nem estive exposto a barulho nenhum. Em Portugal podem fazer um molde personalizado na GAES e eu recomendo o filtro atenuante ER-15.
 
Ficam aqui as minhas recomendações para que consigam manter a vossa audição durante o maior tempo possível. Para os DJs/Produtores isto é essencial, porque com o passar do tempo e com a exposição prolongada a volumes excessivamente altos, chegamos a uma altura em que no estúdio deixamos de ouvir certos sons e as músicas depois começam a sair desequilibradas.
 
Boas Mixes! :)
 
Daniel Poças
FY2 - The Party Rockers
Publicado em Daniel Poças
sexta, 29 maio 2020 22:08

Indústria da noite VS Pandemia

Nesta minha crónica para a 100% DJ decidi não falar do foco principal que normalmente guia a ideologia desta plataforma, mas faço-o muito por achar que nesta altura as duas acabam inevitavelmente por estar interligadas, ao mesmo tempo que peço desde já desculpa aos leitores pela extensão da mesma. 

Desde o princípio do mês de Março que o nosso país, bem como o resto do mundo tem sofrido de uma forma absolutamente inesperada com uma pandemia assassina e muito calculista que tem matado indiscriminadamente um pouco por todo o mundo. Na altura, o confinamento geral acabou por ser a decisão mais correcta, causando danos imediatos na nossa sociedade e comércio, bem como na nossa indústria, a nocturna, que como todos sabemos vive constantemente numa situação periclitante e de constante luta pela sobrevivência. É evidente que factores como o distanciamento social e todos os cuidados que nós, como cidadãos, tivemos que começar a adoptar, imediatamente fizeram perceber que os negócios de diversão nocturna iriam imediatamente ser os mais afectados, e com todo o sentido. 

A verdade é que cumprimos o nosso papel e, sem qualquer tipo de indicações ou apoios de qualquer espécie, fomos até, por iniciativa própria, os primeiros a compreender que era hora de cerrar os punhos e lutar contra um inimigo invisível. Os dias foram passando, a pandemia foi sendo controlada, o nosso país e Governo foi tido como exemplo lá fora e lentamente foram começando a ser dados passos para que lentamente pudéssemos todos voltar à normalidade, mesmo que condicionados e sendo obrigados, como é lógico, a ter em linha de conta que o problema não tinha desaparecido, mas sim controlado. 

Sector a sector, muito cuidadosamente, foram sendo abertas as portas das vidas de milhares de empresários, que puderam pelo menos olhar para o futuro com uma perspectiva mais animadora. Até aqui tudo bem, até nos termos começado a aperceber que esta mesma esperança não iria ser dada a todos, tendo inclusivamente os bares sido passados do sector de restauração e bebidas, onde sempre "viveram", para um sector invisível que até aos dias de hoje ainda não conseguimos muito bem perceber qual é. Numa primeira fase abriria a indústria que teria que abrir, e bem, e os bares e discotecas nem sequer eram tópico de conversa, quanto muito com uma previsão, mas na altura achei que tal era perfeitamente compreensível. Seguiu-se a segunda fase de desconfinamento, abrindo já o sector de restauração e bebidas, de onde os bares foram retirados como que por magia, e mesmo que com regras e restrições de horários lá tivemos cafés e restaurantes a ter a possibilidade de funcionar, sendo mais uma vez o sector noturno ignorado e sem qualquer tipo de informação relativamente ao futuro. Nesta altura, já os empresários lutavam contra a situação de ausência de qualquer tipo de apoio ou pelo menos uma perspectiva que daria uma luz ao fundo de um túnel muito escuro.
 

É verdade que faltará muita organização para se conseguir criar uma força que realmente tenha um peso suficiente para que pelo menos sejamos considerados, e isso é sem dúvida culpa nossa (...)


É verdade que faltará muita organização para se conseguir criar uma força que realmente tenha um peso suficiente para que pelo menos sejamos considerados, e isso é sem dúvida culpa nossa, se calhar passamos tempo demais a trabalhar e não devíamos, mas isso não significa que, devido a isso, tenhamos que continuar a ser ignorados quase em forma de desprezo ao ponto de serem absolutamente inexistentes as palavras "sector nocturno" nos comunicados do nosso primeiro-ministro, à excepção da única vez em que foi confrontado directamente por um orgão de comunicação social, a TSF, tendo o mesmo até parecido ter ficado bastante incomodado ao ponto de apenas dizer que se a indústria nocturna tivesse que ficar encerrada durante o Verão, iria ficar e isso não iria ser problema nenhum. 

Quando tomei conhecimento deste comentário, na minha opinião de uma irresponsabilidade política absolutamente inexplicável, dei por mim a analisar a situação actual, na qual observo alguns café e restaurantes que têm que encerrar às 23 horas, a funcionar ilegalmente até horários permitidos aos bares, a oferecerem serviços de bar sem terem qualquer tipo de especialização para isso, e numa altura em que até já se fala em levantar grande parte das restrições a este tipo de estabelecimentos, muitos deles continuam a não mostrar qualquer tipo de preocupações com as regras da Direção Geral de Saúde e a laborarem numa perspectiva bastante animadora, até porque se tivermos em linha de conta que uma boa parte da população portuguesa se encontra em "tele-trabalho", várias vezes conseguiremos facilmente afastar o cenário de pandemia dos nossos pensamentos ao andar na rua, tal é a descontração com que vemos as pessoas a retomarem as suas vidas de uma forma absolutamente normal, ao ponto de poderemos imaginar até que estamos em pleno Verão, notando-se um afluxo a esplanadas, cafés e restaurantes absolutamente anormal e até surpreendente para a data, na minha opinião, isto tudo para não falar na proliferação de festas ilegais, algumas que contaram já com mais de 100 pessoas como já me foi relatado por vários colegas de norte a sul do país e onde até, segundo a comunicação social, já aconteceram violações. 
 

Cada um civicamente acaba por ser responsável pela sua conduta, e irá sofrer, ou não, as consequências das suas atitudes (...)


Até aqui infelizmente tudo bem, cada um civicamente acaba por ser responsável pela sua conduta, e irá sofrer, ou não, as consequências das suas atitudes, mas ao voltarmos um pouco atrás reparamos num pequeno pormenor que me parece que estará a passar ao lado da vista de todos. Então, e o sector nocturno, como está no meio disto tudo? Absolutamente esquecido, com senhorios, empresários, bartenders, DJs, músicos, funcionários, marcas de bebidas, pequenos e grandes distribuidores e todos os que dependem desta indústria absolutamente entregues à sua sorte e, pior que tudo, a sentir na pele uma discriminação e desprezo sem comparação num Estado Democrático, ao mesmo tempo que assistem a esta série de acontecimentos que parecem estar a passar ao lado da opinião pública.

Os bares não podem abrir, mas os restaurantes e cafés trabalham o nosso mercado, as discotecas não podem abrir mas o festival do Avante não pode deixar de ser feito, as salas de espectáculos têm limitações do tamanho de 20m2 mas os aviões não têm restrições porque os passageiros apenas olham para a frente, ou seja, resumidamente, a cultura e a diversão nocturna não poderão nunca ser equacionados porque apenas não temos direito e somos um factor gravíssimo de risco. E será que ninguém pensa que talvez conseguíssemos dar mais garantias de segurança do que o café da esquina, onde toda a gente se abraça e faz de conta que tudo isto passou? E será que as discotecas não fariam um melhor trabalho de segurança do que uma qualquer garagem da Amadora? E o que fazemos aos milhares de artistas que ganhavam a vida a causar lazer e descontração a todas estas pseudo-figuras nas suas pausas de trabalho no Verão onde já eram imprescindíveis, para lhes dar música, fazer cocktails ou simplesmente os servir, o que fazemos aos milhares de funcionários altamente especializados que cada vez mais engrandeciam a qualidade de serviço do nosso país ao ponto de colocar Portugal como um dos mais apetecíveis destinos turísticos do mundo? O que fazemos aos milhares de espaços que anualmente enchiam os cofres do Estado com milhões de Euros em impostos apesar de serem constantemente bombardeados com impostos, taxas e licenças completamente desajustadas e algumas até inconstitucionais. 

Já não basta sermos preteridos em relação a um qualquer café ou esplanada que há anos que só sabe o que é servir cafés, tostas-mistas ou refrigerantes, ou a uma qualquer garagem ou anexo de acesso duvidoso, onde não existe qualquer tipo de segurança, não só contra o Covid mas também contra a nossa própria integridade física?
 

A pior coisa que poderemos algum dia sentir como cidadãos contributivos e activos dentro da economia do nosso país é sermos constantemente postos de lado, ao ponto de nem contarmos para uma terceira fase, e última de desconfinamento.


A pior coisa que poderemos algum dia sentir como cidadãos contributivos e activos dentro da economia do nosso país é sermos constantemente postos de lado, ao ponto de nem contarmos para uma terceira fase, e última de desconfinamento. O tratamento tem que ser igual para todos, cada sector tem que trabalhar para o seu mercado, porque é precisamente para isso que está habilitado, e um estado de direito não pode nunca dar a entender que devido a interesses políticos, existem prioridades e não-prioridades, a isto se chama viver num estado democrático. Ou se abre ou se fecha tudo, conforme os interesses não é boa política. 
Onde está o dinheiro dos nossos impostos de que finalmente tanto precisamos para conseguirmos superar isto? É que agora precisamos dele, e não pode haver desculpas. Acho também que está na altura de darmos o nosso grito de revolta, espalhando a nossa revolta um pouco por todo o país, até porque, ou muito me engano, ou não me parece que esta situação vá ter algum tipo de alteração nos tempos mais próximos, até porque à hora que escrevo esta crónica recebo a notícia de que por exemplo os cinemas vão abrir com total liberdade em termos de ocupação, já para não falar dos aviões não vão ter também qualquer tipo de restrições e até da festa do Avante, que vai ter que ir para a frente. E como ficamos nós, bares e discotecas deste país? Provavelmente iremos ter que deixar de existir...

Para terminar, e como um artista que já levou o nosso país a todo o mundo, e como empresário que já há muitos anos contribui arduamente para o sistema financeiro do nosso país, sempre sem falhar, até porque tal não me é permitido, ao contrário do oposto, sinto que o meu país está a falhar comigo, com os meus colegas artistas e com os meus colegas empresários, e isto é simplesmente inadmissível, diria mesmo que é uma vergonha pandémica! 

A realidade é esta, nós para eles não contamos para nada, a não ser para entregar os impostos, e isto é uma postura de país de terceiro mundo completamente inaceitável em pleno Século XXI. Está na altura de darmos uso à nossa voz, até porque como já percebemos, a comunicação parece claramente estar em sincronia com esta ostracização em relação a esta situação, ou muito me engano ou estamos prestes a ser o único sector a nível nacional que irá continuar encerrado.
 
Carlos Vargas
Publicado em Carlos Vargas
quarta, 03 dezembro 2014 18:58

O caso holandês

 
A questão da nacionalidade na música electrónica de dança deveria ser pouco importante, o que importa é a música e a quantos agrada sem olhar a fronteiras ou barreiras, afinal a grande conquista da electrónica é a democratização do acesso à música. No entanto é impossível não reparar no domínio de um pequeno país europeu, que tem crescido sustentadamente ao longo da última década, a Holanda. A maior evidência é o domínio do Top100 da DJ Mag, o ranking que serve de referência à indústria mainstream. Quatro dos DJs do Top5 mundial são holandeses, e se alargarmos para o Top20, metade são holandeses. A representatividade holandesa não tem par noutra nacionalidade e é um verdadeiro fenómeno. Se olharmos com mais um pouco de atenção verificamos que esta é apenas a ponta do icebergue. Grandes editoras são holandesas (a Spinnin; a Revealed; a Armada, entre outras); grandes produtoras de eventos são holandesas (a ID&T, responsável pelo Tomorrowland e pelo Sensation, por exemplo; ou a Alda Events, responsável pelas tours mundiais de Hardwell e Armin Van Buuren). A maior conferência anual é de organização holandesa e realiza-se em Amesterdão, o Amsterdam Dance Event. Mas como é que um pais tão pequeno consegue um peso tão significativo numa indústria mundial? Será algo na água que bebem? Ou será um fenómeno mais complicado de explicar?
 

O peso da música electrónica na economia holandesa é de 587 milhões de Euros por ano (...)

 
Comecemos esta análise pelo principio: os holandeses são porventura o único povo que tem estudos de impacto económico da indústria da música electrónica desde o início do século XXI. O primeiro estudo publicado data de 2002 e foi realizado pela consultora KPMG. O mais recente data de 2012 e foi executado pela consultora EVAR, e foi um dos documentos imprescindíveis a este texto1. O peso da música electrónica na economia holandesa é de 587 milhões de Euros por ano, ou seja, mais de meio milhar de milhões. Para este valor global contribuem as receitas dos DJs e produtores musicais, que ultrapassam os 254 milhões de Euros; os festivais e eventos que contribuem com uma fatia de 137 milhões de Euros; a recolha de royalties que ascende a 53 milhões de Euros; A organização de eventos a contribuir com 35 milhões de Euros; entre outras fontes de receitas que ascendem a uns impressionantes 587 milhões de Euros. Como se os números não falassem por si, esta é uma área de negócio em expansão mundial pelo que é expectável que cresça mais nos próximos anos. Uma estimativa cautelosa do mercado mundial dos eventos relacionados com a música electrónica cifra-se nos 2,7 mil milhões de Euros. E o que é que isto significa? Que os holandeses tiveram desde muito cedo a noção de que esta era uma indústria que poderia vir a ter tanto peso na economia do país como condições para crescer exponencialmente no futuro. 
 
Com esta ideia em mente o governo holandês teve o golpe de vista de acarinhar a música electrónica, de a reconhecer, de lhe dar um lugar de destaque na cultura e de criar um sistema de apoio, directo e indirecto, a toda a indústria. Um exemplo claro, e ímpar, desta integração e aceitação? Armin Van Buuren em 2013 a actuar no Kingsday (feriado nacional para celebrar o aniversário do Rei) ao lado da orquestra The Royal Concertgebouw: 
 
 
Outro grande exemplo do investimento na música electrónica foi a criação de uma conferência em 1996 - o Amsterdam Dance Event (ADE) - financiada pela Buma/Stemra (a Sociedade de Autores Holandesa), numa altura em que existia apenas a Winter Music Conference (WMC) de Miami. Focando mais a parte profissional e diurna do negócio, o ADE conseguiu destronar a WMC da sua posição de maior conferência mundial, e tornou a WMC de Miami uma opção, e o ADE de Amesterdão uma obrigação anual para qualquer profissional da indústria. 
 
Além desta óbvia integração dos DJs na cultura do país realizam-se no Kingsday vários eventos de música de dança públicos em todas as grandes cidades holandesas (Amesterdão, Roterdão, Haia, Utrecht, etc) feitos em cooperação com o governo local porque há um entendimento da parte de quem tem o poder público que estes eventos atraem pessoas e geram receitas. Ainda no campo do apoio existem várias organizações de caridade como a Unicef, WWF, War Child (Dance 4 Life), que são parcialmente financiadas pelo governo e que organizam diversos eventos, entre os quais eventos de EDM, para chamar a atenção para as suas causas.  
 
Por último, mas não de somenos importância, os estudos dos músicos e produtores também são apoiados através de financiamento estatal. Qualquer estudante holandês, em função das suas condições de vida pode pedir um apoio estatal até 400€ mensais e, desde que termine os estudos no tempo mínimo e sem falhar nenhuma disciplina, não tem que devolver o dinheiro que recebeu ao Estado. 
 

O caso holandês é um case study mas deveria ser também um exemplo a seguir por outros países.

 
Já ouviram falar de outro país que tenha algo de remotamente semelhante em termos de apoio, integração e valorização da cultura da música electrónica? Eu também não. Parece-me que podemos excluir a hipótese da água.
 
É evidente que sem talento nada se faz, pelo que há um valor artístico no caso holandês que não pode ser medido, e que é a variável nesta equação. Contudo a expressividade dos números da representatividade holandesa na indústria da EDM mundial é directamente proporcional ao investimento de uma nação, não só em apoio financeiro e institucional mas também em aceitação de uma forma de arte e cultura tão vanguardista (sim, porque ainda há quem discuta o valor de um produtor musical versus um músico instrumentista) que permanece na sombra na maioria das culturas mundiais apesar da crescente exposição e da conquista da pop mundial. 
 
O caso holandês é um case study mas deveria ser também um exemplo a seguir por outros países. 
 
(1) "Dance-onomics - The Economic Significance of EDM for the Nederlands" - EVAR Advisory Services, October 2012
 
Thanks Celwin Frezen for the Dutch insider input, couldn’t have done it without you!
 
Um agradecimento especial a toda a equipa e artistas da WDB Management pelo input valioso que dão a todas as minhas crónicas.
 
Sónia Silvestre
Brand Manager
WDB Management
Publicado em Sónia Silvestre
terça, 03 outubro 2017 19:14

Os Deejays e o respeito pela arte...

Num mercado em constante mudança, todos os Deejays (ou aspirantes) deveriam evitar ceder à tentação de apenas acompanhar e imitar tendências já existentes. Uma coisa, como Produtor, é aplicarmos as influências que todos temos na nossa música, e que fomos conquistando ao longo da nossa vida, quer seja à frente da cabine ou atrás, outra é pura e simplesmente tentar copiar o que estará eventualmente na moda do momento apenas porque se parte do princípio que essa será a fórmula para o sucesso, seja lá qual for a sua interpretação. A personalidade de um artista vê-se pela sua capacidade de adaptação ao passar das tendências sem desvirtuar a sua própria identidade, e penso que aqui começam a residir grande parte dos problemas relativos à longevidade da carreira de um Deejay ou Produtor, seja em Portugal ou em qualquer parte do mundo. Talento, perseverança, capacidade de sofrimento, amor à profissão e cada vez mais saber estar atualizado em áreas como como a Promoção, Marketing ou Imagem (estas últimas áreas deixarei para a minha próxima crónica de opinião, até porque a Sheila já se focou, e muito bem, neste tema), são cada vez mais factores fundamentais para se conseguir vingar numa profissão onde até há pouco tempo atrás bastava ser-se conhecido, ter uma cara bonita e levar muitos amigos atrás (sim, em momento algum referi a palavra música). 
 

Passar música para uma pista ou fazer música sozinho num estúdio, não poderá nunca ser resumido apenas ao factor negócio (…)


Acaba por ser um passo mais do que esperado o desaparecimento precoce dos mais variados nomes que chegaram a inundar as nossas pistas de dança de uma maneira vertiginosa mas que chegada a altura de colocar em prática algum dos predicados acima referidos os fizeram desaparecer com a mesma rapidez com que apareceram. Como em tudo na vida o amor à nossa arte é o que sustenta tudo e é preciso realmente ter uma abnegação muito grande para seguir em frente, por muito duros que sejam os obstáculos. Felizmente o nosso mercado está a mudar, a fasquia da qualidade está cada vez a ficar mais exigente e parece-me a mim que as coisas começam a ficar cada vez mais arrumadas nos seus devidos sítios. Passar música para uma pista ou fazer música sozinho num estúdio, não poderá nunca ser resumido apenas ao factor negócio, no fim acabará sempre por ter que vir de dentro aquilo que realmente vai tocar os nossos fãs, críticos, promotores, seguidores ou colegas de trabalho. No caso específico da produção não basta acordar de manhã e pensar que seria giro ser produtor, só porque todos os outros o são e até fica bem no flyer. Tal como na vertente do Deejay, para se ser Produtor musical é preciso ter predicados únicos que não poderemos de forma nenhuma ignorar por pensarmos que um qualquer "sample pack" juntamente com o fácil acesso a um programa de produção nos vai fazer evitar ter que trabalhar e estudar para podermos criar livremente sem limitações.
 

(...) não é por o nosso vizinho nos dizer que até temos jeito para a coisa que vamos pensar que encontrámos a nossa vocação.


Não poderemos nunca encarar tudo isto de uma forma leviana, como em todas as áreas temos seres humanos que têm aptidões para desempenhar o seu trabalho e outros que não, e não é por o nosso vizinho nos dizer que até temos jeito para a coisa que vamos pensar que encontrámos a nossa vocação. Carisma, personalidade e capacidade de integração não são características que possamos fingir, ou as temos ou não, e a consciência desses factores são determinantes para a nossa realização pessoal e acima de tudo para uma arte que cada vez mais precisa de ser respeitada. Seguir esta vida é tudo menos ser-se reconhecido, ter bebidas de borla ou entrar sem esperar na fila dos clubs ou festas da moda, é sim, estar preparado para sacrifícios sociais, pessoais e familiares que muitos de vocês que estão a ler esta crónica saberão do que estou a falar, porque certamente já o viveram. Ser Deejay é ter tudo menos uma vida normal, é ter que sacrificar tudo em prol de uma causa e estar preparado para sofrer as consequências, sendo a nossa grande recompensa a realização de ver quem está à nossa frente levantar os braços e esquecer os seus problemas nem que seja por um par de horas. Eu pessoalmente não gosto muito de pensar em planos muito alargados para a minha carreira, gosto de trabalhar no dia a dia e acima de tudo sentir que o que faço tem um sentido válido para mim, para aqueles que estão próximos de mim e para quem me ouve e segue. Tudo o que vier além disso acaba por ser agradável bónus que tem que saber ser muito bem gerido. Muitas vezes penso que a próxima data poderá muito bem ser a última, que posso estar a fazer a última viagem, a última conversa no carro com o meu agente, a visitar o último hotel e por isso mesmo todos os dias sinto mais força para continuar a desemprenhar a minha função nesta vida, que profissionalmente é sem dúvida nenhuma a música.

Muitas vezes recebo mensagens de pessoas que me perguntam o que devem fazer para serem Produtores, que programa utilizar ou que curso tirar e a todos dou uma resposta que se calhar não gostam de ouvir, que é aprender a tocar um instrumento musical, afinal estão a fazer música e provavelmente o primeiro ano até é chato, mas passados dois ou três até vão começar a achar piada e começar realmente a desfrutar da beleza única que é a linguagem musical. Penso que se calhar essas pessoas acham que é desperdiçar muito tempo, não me parece que seja muito essa a resposta que esperassem ouvir, cada vez recebo menos mensagens dessas... Mas o essencial a retirar deste pequeno exemplo, é que sem esforço e determinação até podemos conquistar pequenas coisas, mas as grandes estão destinadas a quem vê a luz que aparece na altura em que tudo parece negro e acabou, qual sinal que te diz para continuares em frente, porque o resto não interessa, mesmo que tudo em ti te faça questionar os porquês, porque nada parece fazer sentido. O melhor de tudo é que tenho a certeza que muitos de vocês com certeza que percebem o que quero dizer e se identificam com o que aqui escrevi desta vez, e se por acaso não, aconselho vivamente a procurarem outro objectivo de vida. 

Eu tenho a certeza da minha vocação e propósito nesta vida, e tu?
 
Publicado em Carlos Vargas
terça, 01 março 2016 20:53

Obrigação ou imposição?

Olá noctívagos, foi longo o tempo que passou desde a minha ausência neste meio editorial de temática noturna. O pedido de participação da 100% DJ estende-se desde longa data e várias foram as recusas, não por falta de interesse, não por falta do mérito neste editorial que merece desde sempre e cada vez mais o apoio dos profissionais da noite, simplesmente porque o meu rumo profissional foi-se afastando desde meio, nunca a 100%, mas a vida são portas que selecionamos, abrimos e fechamos no constante dia-a-dia. Atempadamente a 100% DJ fez o convite que foi aceite no momento, no entanto os dias passam a correr, as semanas e meses sem vermos vão riscando o calendário e dei por mim a 24 horas da entrega desta crónica. Não é fácil cumprir prazos editoriais, mas eu, confesso que abusei da boa vontade tão atempada por parte da 100% DJ. Com isto, dei por mim a pensar se escrever esta crónica seria uma obrigação ou uma imposição. A minha forma de escrita é direta e sincera, dito isto, a resposta não podia ser mais clara que, não é uma obrigação, nem é uma imposição, é o respeito pela 100% DJ, é o respeito pelos seus leitores.
 
Na noite há situações nas quais se aplicaria a mesma questão “obrigação ou imposição?”, ora vejamos, selecionemos uma das posições de profissionais mais aclamadas do sector, o DJ! É obrigação aceitar alguns trabalhos ou é imposto que o faça? É obrigação ter que tocar alguns temas ou é imposição? Focaremos inicialmente o primeiro ponto. O aceitar algumas datas, gigs, trabalhos, como acharem melhor expressão, vai depender muito da carreira do mesmo, do “estatuto” que o mesmo conseguiu ganhar, conquistar e alcançar. Um artista em início de carreira e completamente amador deverá aceitar todo e qualquer tipo de trabalho, é em prólogo do mesmo esta aprendizagem, o ganhar experiência, sujeitar-se mesmo àquelas casas que nada conhece e por vezes de pista vazia…
 
Um DJ em início de carreira mas já com nome “regional”, não diria que bloqueia casas que não são do seu interesse, mas não aceita caches ridículos, não aceita tocar numa casa que trabalhe com um estilo musical com que não se identifica, ou fora da sua zona de conforto; este modelo ambiciona alcançar mais degraus, patamares e estatuto, preocupa-se com cada passo que possa dar em falso, prejudicando o seu futuro.
 

(…) pedir uma kizomba, a um DJ bem definido na vertente Techno, House, ou mesmo EDM, seria no mínimo ridículo (…)

 
Por fim, temos o DJ de renome, e não, não falo de um estatuto “topo”, não falo do artista que já alcançou inclusive renome internacional, este, antes de aqui chegar esteve anos num “piso” que não é “carne nem é peixe”, no entanto é alguém com nome no mercado, é aquele artista que no mínimo quando é falado, quem não conhece, responde, “não sei quem é, mas já ouvi falar”. Este artista está num patamar em que se pode dar ao luxo de selecionar onde irá tocar, esta questão pode não só partir de pontos pessoais, como de uma questão de gestão de carreira, ou seja, não tocar repetidamente num raio de quilómetros dentro de um determinado tempo de modo a não cansar o mercado e por sua vez o seu nome. Esta gestão neste patamar é já muitas vezes feita por um manager ou um bom booker que tenha capacidade de aconselhamento. Aquando a chegada a este “estatuto” o artista jamais aceita tocar num evento, ou numa casa que não seja o seu estilo musical (já muito bem definido neste patamar), a título de exemplo, pedir uma kizomba, a um DJ bem definido na vertente Techno, House, ou mesmo EDM, seria no mínimo ridículo, e o próprio público com “dois palmos de testa” nem se atreveria a fazer este pedido, isto aquando conseguida a aproximação do artista, muitas vezes inalcançada já neste DJ.
 
“Estatuto” - palavra tão usada nas linhas anteriores, de ânimo leve, bem sei, trata-se de anos de trabalho, nos quais tantos ficam “à sombra da bananeira” e acabam por desistir.
 
Em suma, e tentando concluir sem me alongar este ponto, até serem “gente”, sejam humildes! Vivemos uma geração em que está na moda ser DJ, quem leva esta profissão a sério são poucos, o que torna tudo muito mais difícil. “Obrigação ou imposição?” - depende de ti!
 
A música, o género, as faixas! 
É aqui que se coloca a grande questão, a prova de fogo. Para bons entendedores, as linhas anteriores serviriam de resposta a este segundo ponto. No entanto, vivemos nos últimos anos a “geração Juke Box”, dou por mim a partilhar a cabine com profissionais, colegas, amigos, que são abordados constantemente ao longo da noite com pedidos de temas, géneros e autores. Ora… falemos do passado, a cabine do Disc Jockey não era inacessível ao público há 15 anos porque ele tinha mau feitio, era justo por situações como a descrita agora.
 

(…) um DJ, nomeadamente os residentes, tantas vezes esquecidos, e são quem exerce a função de melhor escola dentro da profissão (…)

 
Escuto entre conversas, entre amigos de profissão, entre profissionais por diversas vezes, que o público é limitado, pede sempre os mesmos temas! A questão impõe-se: devo ou não ceder a estes pedidos?
 
Serei obrigado? Sinto a imposição do público…
 
Como tudo na vida aplica-se o bom senso, o nem 8 nem 80, mas acima de tudo, se um DJ, nomeadamente os residentes, tantas vezes esquecidos, e são quem exerce a função de melhor escola dentro da profissão, um artista que toca numa casa de estilo misto e que acabou de tocar mais de 15 minutos de kizomba, muda o seu estilo para house ou qualquer outro, e eis que surge o “piolho” do público a pedir aquele tema da moda dentro do género “kizomba”, é óbvio que este pedido deve ser totalmente ignorado! 
 
Eis que se coloca a grande questão… “mas passado uma hora devo repetir? É uma obrigação? Ou é uma imposição?” Tantas vezes do público, tantas outras do gerente ou proprietário da casa. A resposta certa?! Gostaria de dizer que não! Não vão repetir um tema que acabaram de tocar, MESMO HÁ UMA HORA ATRÁS! Lembram-se do bom senso? Eis a hora de aplicar o mesmo. Para obter a resposta, pensem, ou perguntem-se! Quem sou eu? Onde estou a tocar? Mas acima de tudo… quem está na pista? A noite é um negócio! A mercearia vende batatas, o banco notas e a discoteca bebidas, consumidas por quem vos ouve, sem eles, não és nada! É a eles que tens de agradar! Significa isso que tens de te repetir? Significa isso que tens de fazer um mau trabalho que não gostas nem consideras correto? Volta ao ponto 1! Em que patamar estás tu?
 
Obrigação ou imposição? Foste obrigado a colocar ou a tocar aquele género musical? Foi-te imposto aquele tema? 
 
Não! O bom senso! Tu mesmo deverás chegar à resposta do que foi certo naquele momento. Naquela casa. Naquele gig. Naquele momento da tua carreira! Mas acima de tudo, o que o público estava a sentir.
 
Mais que um profissional, és um educador musical. Não o fazes por obrigação, não o fazes por imposição. É a profissão que escolheste, é isso que queres ser?
 
Ivo Bacelar
Publicado em Ivo Bacelar
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